Onça-pintada, o maior felino das Américas, ganha dia de celebração internacional

A onça-pintada, jaguar ou Pantera Onca (seu nome científico) é a terceira maior espécie de felinos do mundoperde apenas para o tigre e o leão -, mas, no continente americano, reina absoluta. Pode medir entre 1,12 e 1,85 metros (do focinho à cauda, sendo que esta pode chegar a 75 centímetros), mede entre 45 e 75 centímetros e pesa entre 36 kg (quando bebê) e 158 kg. 

Por sua magnitude, é considerada símbolo brasileiro da conservação da biodiversidade e, em 16 de outubro deste ano, ganhou um dia para sua celebração: 29 de novembro, o Dia da Onça Pintada, concretizado com a Portaria no. 8, do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Essa iniciativa serviu de inspiração para que, durante a Conferência da Biodiversidade da ONU (realizada em Shram El-Sheik, no Egito, e que acaba hoje), fosse declarado o Dia Internacional da Onça Pintada. Assim, nos 18 países em que a espécie ocorre (veja abaixo), nesse dia especial sempre será festejada sua existência lembrada sua importância para a conservação das florestas que habita pelo mundo.

A onça-pintada já habitou o sudoeste dos Estados Unidos – ainda sobrevive no Arizona -, mas lá está oficialmente extinta. É encontrada em florestas tropicais, em alguns países da América Central e Latina como Belize, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Francesa, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Venezuela, sendo muito rara no México e já extinta em El Salvador, Uruguai e quase toda a Argentina.

De certa forma, abundante no Brasil – apesar de alvo constante dos caçadores – está presente em praticamente todos os biomas: Caatinga (onde é mais ameaçada), Pantanal, CerradoMata Atlântica e, principalmente, Amazônia.

Sua presença é sinal de que tudo vai bem naquele ecossistema já que ela está no topo da cadeia alimentar., ou seja, não existem  animais que se alimentem dela. Isto significa que a região oferece condições para sua sobrevivência e, por isso, é um bom indicador de qualidade ambiental. Há uma troca boa entre a floresta e a onça-pintada: ela é fundamental para a conservação da mata e a mata é essencial para sua sobrevivência. Por isso é tão imprescindível preservá-la.

Foto: Marcos Amend (Poconé/MT)

Na Amazônia, há cerca de 10 mil indivíduos, a maior população de onça-pintada do mundo, mas a destruição da floresta, seu habitat, e a caça predatória têm sido uma grande preocupação dos conservacionistas. Por isso, é classificada pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) e pelo IBAMA como espécie vulnerável.

Aqui, no Conexão Planeta, temos noticiado com frequência a caça ilegal, inclusive com denúncias de tortura. Um dos casos foi denunciado pela ONG Proteção Animal Mundial que descobriu onças-pintadas mortas, com requintes de crueldade, para uso medicinal no Suriname e na China.

Aqui, vale destacar a presença das onças-pintadas na conhecida Reserva Mamirauá, uma unidade de conservação localizada no centro do estado do Amazonas. Ela é tão bem preservada que abriga uma das mais altas densidades de onças-pintadas do mundo. O Instituto Mamirauá registrou, nos últimos dois anos – por meio de armadilhas fotográficas e de colares de controle, principalmente -, uma concentração de mais de 10 onças/100 km² dentro da reserva.

Pintas, mesmo com muita melanina

Geralmente, a onça-pintada tem pelagem amarelo-dourado e pintas pretas espalhadas pela cabeça, pescoço e patas, sendo que, nos ombros, costas e flancos elas têm formato de rosetas, com uma ou mais pintas menores em seu interior. Isso é o que a diferencia do leopardo, que só tem as pintas maiores (foto abaixo de Brand Jô Petrô/Instituto Mamirauá).

Mas a onça-pintada também pode ser toda preta, sabia? (veja na foto abaixo, de André Dib, para o Instituto Mamirauá). A famosa pantera negra.

É uma espécie rara – só 6% de toda a população -, que resulta de grande concentração de melanina na pele (melanismo), que deixa um tom escuro nos pelos.

E, sim, a onça preta também tem pintas, como dá pra ver na foto abaixo, de Marcos Amend.

Gente? Não tem graça nenhuma

Ao contrário do que muita gente pensa, a onça-pintada não gosta de comer seres humanos. Isso só acontece em casos extremos, de falta de alimento. E ataques, só quando ela se sente ameaçada ou quando quer proteger seus filhotes ou garantir o alimento, como uma caça recém-abatida.

Suas presas preferidas são animais silvestres como catetos, bichos-preguiça, capivaras, macacos, tamanduás, jacarés, queixadas, veados e tatus. Na Amazônia, preguiça, macaco guariba (na foto abaixo, de Anamélia Souza de Jesus), jacaré-tinga e jacaré-açu são os alimentos principais.

Como vive e se reproduz…

Ela é territorialista, ocupando de 22 a 150 km2 (ou além), sendo que o território de um macho se sobrepõe ao de duas ou mais fêmeas. 

Na Amazônia, por conta do nível dos rios, que sobe e desce periodicamente, ela se comporta de forma muito peculiar. Na época de cheia, quando os rios transbordam e inundam as florestas, a onça-pintada busca as partes mais altas das
árvores para morar, o que pode durar seis meses (veja na foto, abaixo, de Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá). 

Mas é boa nadadora também, por isso, não se restringe às copas das arvores para se viver (foto abaixo, de João Marcos Rosa).

Quando em terra (foto abaixo, de João Marcos Rosa), por sua agilidade e destreza, sobe em árvore com muita facilidade, o que pode lhe garantir um bom almoço ou esconderijo para fugir de caçadores.

Em geral, é muito solitária a maior parte do tempo. Machos e fêmeas se encontram apenas nos períodos reprodutivos (foto abaixo, de João Marcos Rosa). E daí pra frente é que a espécie pode ser vista em grupo: mas, apenas no período de reprodução ou no início da vida, quando os filhotes são cuidados pela mãe.

A gestação dura de 93 a 105 dias e nascem um ou dois filhotes, não mais. A mamãe onça-pintada cuida do filhote até que ele complete dois anos, mais ou menos, ensinando-o a caçar e a sobreviver para poder deixa-lo (foto abaixo de Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá).

Leia também:
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Fontes: Instituto Mamirauá, WWF e livro “Jaguar” (Evaristo Eduardo de Miranda e Liana John, Metalivros, 2010).

Fotos: Marcos Amend (entre elas, a foto que abre este post), João Marcos Rosa (entre outras, a última foto deste post), Emiliano Ramalho, Anamélia Souza de Jesus, Brandi Jô Petrônio (Instituto Mamirauá) 

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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