Óleo de castanha: bom para o coração, o cérebro, a tireoide e o paladar

Só um fio para regar peixes, crepes, massas recheadas, queijos e, eventualmente, finalizar uma sobremesa gelada à base de limão siciliano… Pronto! É a conta para o óleo de castanha somar as qualidades de alimento funcional ao sabor diferenciado, bem ao gosto dos apreciadores da alta gastronomia.

Como todos sabemos, castanhas-do-brasil (Bertholletia excelsa) – também chamadas de castanhas-do-pará -, são ricas em selênio, um nutriente essencial ao bom funcionamento do cérebro e também à produção dos hormônios da tireoide, responsáveis pelo controle do metabolismo, pela síntese de proteínas nas células, pelo crescimento dos músculos e pela produção de alguns neurotransmissores.

Quando as castanhas são prensadas a frio para a extração do óleo alimentício, o selênio vai junto. E não só ele: também outros nutrientes importantes, como cálcio, ferro, zinco, potássio e as vitaminas lipossolúveis: retinol (Vitamina A) e tocoferol (vitamina E). Esta última é a vitamina antienvelhecimento por definição, por combater os radicais livres.

O óleo gourmet de castanha ainda apresenta teores balanceados dos ácidos graxos linoleico (ômega 6) e oleico (ômega 9) e de esqualeno, um composto orgânico que tem a propriedade de distribuir oxigênio diretamente às células, melhorando o metabolismo celular. Por tudo isso, seu consumo é considerado cardioprotetor.

Mas atenção, como no caso da castanha, o óleo também deve ser consumido com moderação. Em excesso, alguns nutrientes e compostos apresentam toxicidade. E, cá entre nós, o exagero também transforma o sabor suave, leve e adocicado em um alimento que enfastia.

Talvez por isso, os frascos de óleo gourmet de castanha disponíveis nos mercados das regiões Sul e Sudeste costumam ser pequenos, entre 100 e 200 ml. Não faz muito tempo, a extração do óleo era feita apenas na Amazônia, de onde vem quase toda a produção brasileira. Mas agora já existem empresas produzindo o óleo mais perto dos consumidores, como é o caso de uma fábrica instalada em Vinhedo, no interior paulista.

castanha

A castanha antes de ser descascada

“Antes de colocar nosso óleo no mercado, viajamos muito e visitamos muitos produtores de castanhas”, conta Luciana Jordão, responsável técnica e sócia da Veris Brasil. “Optamos por comprar as castanhas embaladas a vácuo, em embalagens aluminizadas, e extrair o óleo aqui, porque as castanhas chegam inteiras (menos sujeitas à oxidação); podemos controlar a qualidade; eliminar cascas e outros restos vegetais; controlar a temperatura, tudo num ambiente de extração limpo, de acordo com as exigências da vigilância sanitária”. Obviamente, isso faz muita diferença na pureza e qualidade do óleo.

Castanhas prensadas a frio para a extração do óleo mantêm nutrientes 

Além disso, após a extração do óleo, Luciana ainda obtém um co-produto da torta de castanha espremida: a farinha de castanha, rica em proteínas e fibras. É uma farinha boa para enriquecer pães, bolos e biscoitos, acrescentando sabor às receitas, sobretudo aquelas destinadas a alérgicos, sem glúten e sem lactose.

A ampliação da oferta de óleo e farinha de castanha de boa qualidade facilita bastante a vida de quem quer cuidar do coração, do cérebro e da tireoide sem descuidar do paladar. Com bons ingredientes à mão, agora é só dar asas à criatividade e inventar as próprias receitas. Bom (e saudável) apetite!

Fotos: domínio público (abertura) e demais Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

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