O topetinho-vermelho

beija-flor topetinho-vermelho

Para mim, o beija-flor topetinho-vermelho (Lophornis magnificus) sempre foi um fantasma. Nunca havia conseguido nem observá-lo na natureza, mesmo depois de anos nas florestas. Amigos sempre me diziam que ele habitava o jardim do Museu Mello Leitão, em Santa Teresa (ES), uma verdadeira ilha de biodiversidade, em meio à cidade.

Criado pelo consagrado Augusto Ruschi (patrono da Ecologia no Brasil e um dos ícones mundiais da proteção ao meio ambiente), o legado científico do museu alcança pesquisadores do mundo inteiro. Tamanha a sua importância, fez com que recentemente também recebesse do Governo Federal o título de Instituto Nacional da Mata Atlântica – INMA.

Em meio à toda essa biodiversidade e pesquisadores (muitos deles se tornaram amigos), eu frequentemente me via quietinho, na varanda da antiga casa de Augusto Ruschi, cercado por dezenas de beija-flores, aguardando aquele que sempre tive vontade de ver e fotografar. O mais colorido, diferente e menorzinho deles, símbolo do Museu Mello Leitão, que por meu azar, nunca aparecia enquanto eu estava por lá.

Refletia nas muitas histórias relacionadas à conservação que aquele lugar já havia testemunhado. Por muitas vezes, meus pensamentos até distraem minha visão, mesmo estando com meus olhos abertos, não via as imagens à minha fente, somente meus devaneios. Mas em um momento, escutei um zumbido diferente do lado de minha orelha direita, que despertou minha atenção… Conseguia sentir o vento produzido pelas asas de um serzinho não maior do que muitos insetos.

Com um movimento brusco, outro beija-flor maior, espantou-o para mais longe. Observei o galho para o qual havia voado, e lá estava ele. O beija-flor topetinho-vermelho! Após muito tempo esperando pelo momento, ele apareceu justamente há alguns centímetros de minha cabeça, como se estivesse me avisando de sua chegada. Agora, pousado em um galho, fazia todo o tipo de pose. Aproveitei para fazer uma grande sequência de fotos e vídeos, que você confere ao final deste post.

Fiquei maravilhado com o tamanho, cores, velocidade e delicadeza do beija-flor, digno de ser símbolo de um dos locais com maior biodiversidade que já fui. Assim, fica aqui dica para observadores de aves de todo o mundo. Um lugar que nunca tive arrependimento de visitar.

 

Fotógrafo de natureza e conservação, é fundador do Instituto Últimos Refúgios, ONG sem fins lucrativos que busca sensibilização ambiental através da cultura, em especial, fotografias e vídeos. Leonardo já realizou diversas exposições no Brasil e também na Alemanha, Itália e França. Tem cinco livros publicados, quatro documentários em vídeo, séries para TV/Youtube e matérias veiculadas na BBC, National Geographic Brasil, Fantástico, Google Arts & Culture

Leonardo Merçon

Fotógrafo de natureza e conservação, é fundador do Instituto Últimos Refúgios, ONG sem fins lucrativos que busca sensibilização ambiental através da cultura, em especial, fotografias e vídeos. Leonardo já realizou diversas exposições no Brasil e também na Alemanha, Itália e França. Tem cinco livros publicados, quatro documentários em vídeo, séries para TV/Youtube e matérias veiculadas na BBC, National Geographic Brasil, Fantástico, Google Arts & Culture

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