O tempo (natural) das crianças

Chega o final do ano e a correria aumenta. Além da finalização dos trabalhos, muitos encontros e festividades para celebrar o ano que passou, suas conquistas e aprendizados. O stress acumulado durante o ano é intensificado com o aumento dos compromissos nessa época. Tanto os pais quanto as crianças ficam na expectativa de que as férias que se aproximam cheguem logo.

Mas o que significa essa correria toda? Por que corremos? Onde queremos chegar correndo desse jeito? Qual o impacto dessa velocidade na qualidade de vida de cada um e das relações? Qual o impacto desse jeito de lidar com o tempo sobre a vida das crianças? É possível viver em sociedade na nossa época sem correr e sem se estressar?

 O tempo dos adultos influencia o tempo natural das crianças, que vai ficando comprimido, assim como os espaços de ouvir a si mesmo, ouvir o outro e se desenvolver de forma espontânea e saudável.

Então, como fazer para se apressar sem perder a essência de cada momento da vida? Como se apressar devagar?

Experimente: se não tem jeito e a correria está intensa, tente abrir uma pequena brecha, nem que seja de 15 minutos. Vá até a praça ou jardim mais próximos de onde você está. Além de reconhecer o espaço, esta é uma boa oportunidade para desacelerar. Pare, olhe para as plantas, veja se consegue ouvir pássaros ou pequenos insetos? Respire fundo, algumas vezes. Se aproxime da folha de uma árvore ou folhagem próxima e, ao inspirar, lembre-se que ela está exalando o oxigênio que você inala e quando você expira, você está lhe oferecendo gás carbônico e vapor de água. Não é incrível isso?

Mais incrível ainda é lembrar-se disso e praticar no meio da correria do dia a dia intensificada pelo final do ano. Você pode confiar nas plantas. Você pode confiar na vida.

E, quando for ao parque passear com sua(s) criança(s), experimente não ser tão vigilante. Procure deixá-la correr, tocar, parar, observar pequenas coisas, enfim, fazer o que quiser. É preciso confiar na criança: ela sabe o que está fazendo! E deixe-a perceber que você confia nela.

Claro, existem situações extremas em que é preciso cuidar. Mas, num parque, onde não passam carros, a maior parte dos perigos que podemos ter são mais imaginários do que reais. Usemos o bom senso! Sentir-se confiante e num espaço ao ar livre permite à criança experimentar tempos e espaços necessários para a infância.

Às vezes, temos a impressão de que os adultos estão ficando cada vez mais controladores e excessivamente preocupados com segurança, fazendo com que os passeios sejam tão tensos e estressantes quanto o dia a dia.

Só que criança e natureza juntas significam tempo e espaço no fluxo natural da vida, cuja essência, ao dar forma aos incontáveis objetos e relações que fabricamos, não pode ser perdida!

Foto: Renata Stort

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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