O sopro dos renováveis na pira olímpica

pira olímpica Rio 2016

Depois de o Brasil inteiro e bilhões de espectadores internacionais terem ficados encantados com a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos 2016, no Rio de Janeiro, em que a principal bandeira levantada foi a preservação do meio ambiente e a luta contra o aquecimento global, era impossível não deixar de falar sobre a fantástica pira olímpica concebida para o espetáculo.

A obra é do artista americano Anthony Howe, um especialista em esculturas cinéticas (que se movem a partir da produção da força, conceito vindo da física). A ideia da equipe responsável pela direção criativa da cerimônia era que a pira fosse mais sustentável do que as tradicionalmente utilizadas nas Olimpíadas anteriores, em que uma enorme chama costumava consumir uma quantidade exorbitante de gás e com isso emitir muito carbono (o tal do CO2, gás principal responsável pelo aquecimento global).

“A chama não gasta muito gás, é pequena e tem esta grande escultura. A grandeza dela está no movimento eólico”, diz Andrucha Waddington, uma das mentes por trás da festa de abertura dos Jogos Olímpicos.

A escultura produzida por Howe representa o sol e é ativada através da força eólica, ou seja, o movimento do vento.

O cineasta Fernando Meirelles, um dos diretores criativos da cerimônia, chamou a inovação de “primeira pira híbrida da história das Olimpíadas”. Segundo ele, depois da mensagem passada no espetáculo da abertura, não haveria o menor sentido em ter uma chama enorme, consumindo combustível fóssil.

A pira brasileira é uma linda metáfora para o momento atual que vivemos. Nunca antes, as fontes renováveis, sobretudo as energias solar e eólica, se mostraram tão economicamente viáveis e confiáveis.

Em outubro do ano passado, um relatório internacional sobre tendências de investimentos em renováveis revelou que o custo da energia eólica, produzida em países da Europa, já era menor do que aquela proveniente de carvão e gás. Só no ano passado, o investimento nas fontes limpas simplesmente dobrou em relação à 2014. E mais recentemente, o mercado de energias solar dos Estados Unidos celebrou também que pela primeira vez na história do país, mais energia solar foi adicionada à matriz energética do que todos os outros tipos de fontes juntas (leia mais neste outro post).

O que era um sonho, já é realidade. Seja pelas asas do Solar Impulse, o primeiro avião solar do mundo que conseguiu dar a volta ao redor do planeta utilizando somente energia gerada pelo sol ou pela pira olímpica do Rio de Janeiro, que funciona com uma fonte limpa, sustentável e renovável: o sopro do vento.

A história da tocha olímpica

Na Antiguidade, os gregos consideravam o fogo um elemento sagrado. Na frente de seus principais templos, sempre havia uma tocha permanentemente acesa, como na entrada do Santuário de Olímpia, local onde nasceram os Jogos Olímpicos.

Naquele tempo, entretanto, a tocha “divina” era acesa com os raios do sol porque os gregos acreditavam que desta maneira, a chama seria pura.

Apesar da tocha já ter sido utilizada nos Jogos Olímpicos de 1928, em Amsterdam, foi só em 1936, em Berlim, que ela passou a fazer parte oficial da grande festa do esporte mundial.



foto: divulgação Rio 2016/Alex Ferro

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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