O som ao redor tem muita natureza… silencie e ouça!

Em uma caminhada no meio da natureza, principalmente com amigos, é um pouco inevitável não conversar. Nós vivemos em sociedade e a conversa é parte importante das nossas relações. Mas você já percebeu o que acontece quando silenciamos nossa voz? É possível escutar o que a natureza nos fala.

Quando estamos na natureza em grupo, com bebês e crianças, é importante se atentar ao silêncio, ou ao menos controlar a quantidade de falas e o volume da nossa voz. Quando os bebês estão imersos em novas experiências, o som da conversa entre os adultos pode interferir na qualidade dessas descobertas.

O que os pequenos ouvem é bastante diferente do que os adultos escutam. “Os ouvidos da criança, como todos os seus sentidos, são apurados e muito mais sensíveis do que os dos adultos”, afirma Joseph Chilton Pearce – escritor especializado em desenvolvimento humano – em seu livro A criança mágica (1985). Estar em um ambiente barulhento, com muitos ruídos, é uma sobrecarga sensorial para as crianças. E Pearce acrescenta: “Ela precisa de grandes espaços calmos e silenciosos, principalmente em um ambiente natural, com grama, árvore e flores”. Silenciar a conversa dos adultos é permitir que as crianças possam estar num ambiente calmo, para ouvir o mundo e sobretudo o que os adultos não escutam mais.

Então, quando estiver em espaços de áreas naturais, silencie e ouça. Fechar os olhos pode ajudar a focar sua atenção nos sons que chegam até você. Quanto mais nos aquietamos, mais identificamos os sons ao redor. Fico me perguntando se, neste momento, estamos próximos a ouvir como um bebê.

E sabe que você pode fazer uma seleção do que escuta, inclusive nas grandes cidades, onde há uma grande poluição auditiva? Em meio a carros, alto falantes, aviões, buzinas, construções, é possível ouvir mais.

Quando comecei meu trabalho de pesquisa com o tema Criança e Natureza, e a Rita Mendonça – com quem desenvolvo o programa Ser Criança é Natural e todas as iniciativas atreladas a ele, além de assinar este blog – era minha orientadora, nos encontrávamos em um café na Vila Madalena, em São Paulo para nossas conversas. Jamais me esquecerei de um dia em que, no meio da conversa, Rita pausou o assunto e disse: “Como eu adoro essa época em que os sabiás começam a cantar”. Eu não havia escutado nada e perguntei com expressão de espanto: “Eles estão cantando?”.

Deste dia em diante passei a focar minha atenção nos sons da cidade e tentar encontrar a natureza em meio a essa massa sonora. É um exercício que demanda uma energia maior em alguns espaços, mas que, aos poucos, nos ajuda a perceber bons resultados.

Agora mais atenta, me parece que os pássaros cantam mais. Na verdade, eles sempre estiveram lá, meus ouvidos é que não estavam. Perceber como esses estímulos chegam ao nosso corpo é uma maneira de pensar como é o mundo que chega para nossas crianças, percebido por elas.

Foto: Renata Stort

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

Ana Carol Thomé

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

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