O que esperar da Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, em Marrakesh

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Há um ano, um acordo climático saiu do papel: o Acordo de Paris. E não paramos de festeja-lo. No dia 4/11, finalmente, ele virou lei. E, a partir de hoje, em Marrakesh, na COP 22 – 22ª. Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, os representantes das delegações da maioria dos países que o assinaram começam a detalhar suas ações para cumpri-lo.

Nesse encontro – que vai até o dia 18 -, serão feitos ajustes minuciosos e de qualidade para se garantir que o acordo seja cumprido por todos, com justiça. Em Marrakesh, os países participantes devem estabelecer objetivos claros, do contrário podem colocar em risco o que foi feito até agora. Com um detalhe: em 3/11 – portanto, véspera do Acordo entrar em vigor –, a ONU divulgou relatório que revela que os compromissos assumidos até agora não são suficientes para evitar que a temperatura do planeta suba de 2ºC.

Mesmo assim, a atmosfera é de otimismo. O espírito de união e cooperação que se viu na capital francesa em 2015, avançou em 2016 – os países assinaram o documento muito antes do que se esperava – e chega à COP22, devendo permanecer firme e forte por lá. Torcemos por isso.

Para quem quer saber um pouquinho mais sobre cada tema, aqui vai um resumo que fiz embasada por diversas leituras, entre elas o ótimo artigo de Sophie Yeo para o Carbon Brief, indicado por Délcio Rodrigues da ONG Vitae Civilis.

Inventário global de emissões de gases de efeito estufa

Este é um dos pontos mais importantes desse encontro. O progresso de todos em direção aos objetivos do acordo será avaliado e espera-se que os países aumentem suas ações de combate às mudanças climáticas já que as promessas atuais não são suficientes para cumprir as metas para redução da temperatura no planeta.

Mecanismo de perdas e danos

A COP22 também será um momento importante para se revisar e analisar esse mecanismo (estabelecido na COP19, em Varsóvia, em 2013), que leva em conta os países que têm mais a perder com as alterações do clima, ou seja, nos quais é tarde demais para falar em adaptação. Em 2014, em Lima/Peru, foi aprovado um plano que considerava perdas não econômicas, migração e eventos traiçoeiros e de início lento. Também foi definido um plano de 5 anos, que entraria em ação agora. Então, em Marrakesh, o rascunho desse plano deverá ser avaliado também. Se for adotado, orientará o trabalho sobre perdas e danos nos próximos anos.

Comitê de Capacitação de Paris

Criado na COP21 para ajudar a capacitar os países mais pobres e vulneráveis a se adaptar aos impactos climáticos e ao combate de suas emissões, esse Comitê deve ter especial destaque e visibilidade na COP22.

Transparência

Em Paris foram estabelecidas diretrizes para garantir maior transparência em relação às medidas tomadas por cada país para combater as mudanças climáticas e também dar apoio aos mais vulneráveis. Isso deverá ser aprimorado na COP22 – é imprescindível, por exemplo, que haja diferentes diretrizes já que as exigências não podem ser as mesmas para ricos e pobres. Mas os países têm até 2018 para completar tais diretrizes e regras a fim de melhorar o sistema.

Adaptação às mudanças climáticas

Este foi um dos pontos altos da COP21, em Paris, e deve ser assim neste encontro também. Já existem diretrizes a respeito dos processos de planejamento para adaptação e de sua comunicação, mas ainda falta aprofundá-las, aperfeiçoá-las e torna-las mais consistentes.

Ajuda financeira

E claro que a discussão sobre a ajuda financeira dos países desenvolvidos às nações pobres estará presente na COP22. Na última conferência, foram muitas as conversas em torno da promessa dos ricos de fornecer US$ 100 bilhões por ano, até 2020, para a ação climática nos países pobres. Segundo relatório, em 2014 foram doados US$ 62 bilhões. Mas é possível que a grande questão deste tema seja a metodologia utilizada para a produção deste relatório.

As eleições nos EUA

Por último, vale lembrar que as eleições presidenciais nos EUA acontecerão em 9/11 e ajudarão a definir o clima das conversações. Donald Trump, candidato republicano, é cético em relação às mudanças climáticas, hostil à ONU e já anunciou que, se ganhar, vai tirar os EUA do Acordo de Paris. Oficialmente, isso não é possível, mas ele também anunciou investimentos estratosféricos em fontes sujas de energia, como carvão.

A foto que abre este post mostra a Torre Hassan de Rabat, construída no século XII acima da foz do Rio Salé. No dia 3/11, em que o Acordo de Paris entrou em vigor, ela foi iluminada por uma luz verde “como sinal de ancoragem no âmbito dos compromissos da mobilização para o desenvolvimento sustentável e a luta contra as mudanças climáticas” (como divulgado na página da COP22 no Facebook).

Agora, assista ao vídeo da ONU sobre a COP 22, que é um convite para que todos participem deste movimento contra as mudanças climáticas.

Leia também:
Por que combater as mudanças climáticas? A ONU responde 

Foto: Divulgação/COP22

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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