O que aprendemos quando saímos da sala de aula?

Uma das preocupações dos professores interessados em trabalhar fora da sala de aula diz respeito à sua imagem na comunidade escolar: gestores, colegas professores, funcionários e, também, as famílias.

Será que serão compreendidos em suas novas estratégias de ensinar? Será que os alunos vão achar que não é aula, que é um momento de recreação? Será que a comunidade escolar vai pensar que o professor não está trabalhando?

Essas perguntas nos levam a diversas reflexões que, esperamos, possam ser úteis ao processo de cada um.

A primeira é reconhecer o que você, educador, sente profundamente sobre isso. Independente da avaliação dos outros, como você se sente? Realmente acredita na riqueza de oportunidades da educação ao ar livre? Você se sente à vontade saindo da sala de aula com seus alunos?

Precisamos rever o estereótipo de professor que temos em mente. Um adulto que fala muito, símbolo de detentor do saber. Está apenas no papel de transmissor de conteúdo e não de mediador, provocador. Aqui, a relação é vertical e não horizontal. Este é um modelo de escola socialmente dominante. Mas o papel do adulto pode ser diferente, seja na maneira como ele se relaciona com os alunos, como usa os espaços, como ocupa e habita a escola.

Se a aprendizagem se torna mais espontânea e livre, não existe compromisso? Ou, perguntando de outra forma, como reconhecer o profundo compromisso com o processo natural de aprendizagem quando se está fora da sala de aula com os alunos e permitindo que todos os elementos que vierem a intervir façam parte daquele contexto da aprendizagem?

A maneira como o professor se relaciona com os alunos, como ele inspira a busca a produção de conhecimento traz respostas para todas estas perguntas.

<p”>Como vou sistematizar o que os alunos aprenderam e como vou avaliar essa aprendizagem?

O que não faltam são maneiras de sistematizar o conhecimento, que vão muito além de livros, cadernos e lousa. Algumas maneiras podem ser efêmeras, mas registrar profundamente na memória.

E se as atividades com a natureza que eu propuser levarem a outros interesses e a aula se desviar completamente de minhas intenções iniciais?

Ótimo! Este é um excelente exercício para pensarmos em novas maneiras de planejar, refletir e organizar as rotinas de aula. O que tem que ser levado em consideração é apenas o meu interesse? A aula é de todos e não apenas do professor. Como colocar todos os interesses juntos nesse momento?

Quando tiramos “as paredes da sala de aula”, ganhamos um mundo inteiro para aprender. Acessamos não apenas novo conteúdo escolar, mas novas formas de se relacionar, de organizar, de focar a atenção, de eleger interesses, de estar junto, de construir conhecimento, pesquisar, observar, experimentar…

Foto: Nathaniel Teeth/Unsplash

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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