O mundo real fica do lado de fora da sala de aula

Enquanto a tendência da sociedade atual é adicionar mais tecnologia à sala de aula, nós propomos que a educação que realmente forma as crianças para a realidade da vida tenha menos tempo em sala de aula e mais tempo na construção de relações diretas com a realidade, seja com outras pessoas ou com seres não humanos.

Enquanto compartilhamos nossas experiências e estudos, seja por aqui ou em encontros ao vivo, muitos educadores nos relatam o quão difícil é sair da sala de aula. Sabemos que não é fácil fazer esse movimento porque também vivemos essa dificuldade. E, por isso, resolvemos listar sete dicas para estimular e orientar os primeiros passos rumo ao ar livre, lembrando que até existe um dia inteiro dedicado a promover essa prática – 17 de maio – e que já falamos dele aqui, no blog, também.

1. Comece
Toda ação precisa de alguém que a inicie. Se você tem esse impulso inicial no coração, comece!

2. Pequenas doses
Sabemos que tudo pode ser feito do lado de fora da escola. Mas se você está começando agora, uma opção é experimentar pequenos momentos ao ar livre. Atente para sua rotina e perceba quanta coisa pode ser feita fora da sala de aula. De uma roda de leitura a jogos matemáticos, em que momentos você consegue sair? Aos poucos esses momentos podem aumentar, e quem sabe, se transformar em parte da rotina diária.

3. Descubra seu espaço
A escola inteira é um ambiente educador e deve ser vista como tal. Muitas vezes não conhecemos ou não usamos todos os espaços. E, ainda, recebemos relatos de que espaços potentes para a relação com a natureza são para descarte e acúmulo de entulho. Caminhe pela escola com um novo olhar, perceba que locais podem ser ocupados e transformados pela presença das crianças.

4. Aproprie-se do espaço junto com as crianças 
É muito importante que estes processos aconteçam com todos juntos: educadores e alunos. Convide as crianças para ajudar a identificar espaços que podem ser transformados ou limpar uma área para que comecem a utiliza-la. Façam isso juntos – adultos e crianças -, cada um fazendo o que tem a ver com seus talentos. Participar do processo aproxima todos do espaço e gera um sentimento de pertencimento ao espaço transformado, principalmente se todas as vozes foram ouvidas e as diferentes ideias foram trocadas, negociadas e colocadas em prática. Isso cria o pensamento “se transformei, cuido para que permaneça assim”, que começa a se espalhar.

5. Procure seus pares
Fica menos difícil remar contra a correnteza se a gente rema junto. Não é fácil, nem simples, mas quando estamos junto com pessoas que também acreditam nesse movimento, ganhamos força. Encontre, no seu ambiente, outros educadores a quem possa se unir e com quem possa compartilhar ideais. E, fora dele, encontre referências e grupos de ação que já estão colocando essas ideias em prática.

6. Comunidade viva
Não só educadores querem fazer transformações nos espaços educativos, mas funcionários, gestores e familiares também. Conhecemos escolas que convocaram a comunidade para fazer parte dessa transformação, quanto famílias que estão se apropriando de seu papel na escola como agentes transformadores, provocando muitas mudanças. Reconheça as pessoas que podem ajudar.

7. Torne visível a aprendizagem
É comum as famílias cobrarem da escola a existência de cadernos e apostilas porque entendem que é neles que se encontram – de forma sistematizada – as aprendizagens importantes para as crianças. Mas será que é isso, mesmo? Quando as crianças ficam ao ar livre, brincando e experimentando com a natureza, muitos conceitos imprescindíveis vão se formando em suas mentes. Registre estas ações, ocupe as paredes da escola contando sobre as experiências das crianças e o conhecimento produzido por elas.

Essas são algumas dicas que vivemos no nosso cotidiano e compartilhamos com vocês. Queremos, cada vez mais, crianças do lado de fora, conhecendo o mundo real, tal como ele é. E você, tem alguma dica pra gente?

Foto: RitaE/Pixabay

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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