“O Jardim do Éden não existe mais”, diz naturalista David Attenborough, sobre impacto do homem no planeta


“O Jardim do Éden não existe mais”, diz naturalista David Attenborough, sobre impacto do homem no planeta

Ele é a voz da natureza. Esta é a sensação que têm milhões de britânicos e apaixonados por programas sobre animais e meio ambiente, de outras partes do mundo, ao ouvir a narração ou reportagens feitas pelo naturalista David Attenborough. Durante as últimas décadas, o senhor, hoje com 92 anos, viajou pelos quatro cantos do planeta – ou aqueles em que as atividades humanas ainda não destruíram – mostrando a biodiversidade da Terra e as belezas e o comportamento de nossa fauna e flora.

Por ser uma das pessoas mais influentes da atualidade, o britânico foi convidado a falar durante a abertura do Fórum Econômico Mundial, que acontece esta semana, em Davos, na Suíça. Ele também foi um dos escolhidos para receber o Crystal Award, prêmio que reconhece a contribuição de personalidades que inspiram mudanças sustentáveis e inclusivas no mundo.

Como sempre, durante seu discurso, Attenborough foi incisivo. “Eu sou literalmente de outra época. Nasci durante o Holoceno – o período de 12 mil anos de estabilidade climática que permitiu que os humanos se estabelecessem, cultivassem e criassem civilizações. Isso levou ao comércio de idéias e bens, e nos tornou a espécie globalmente conectada que somos hoje”, afirmou. “Essa estabilidade permitiu que as empresas crescessem, as nações cooperassem e as pessoas compartilhassem ideias. Todavia, no espaço da minha vida, tudo isso mudou”.

E ele continuou. “O Holoceno terminou. O Jardim do Éden não existe mais. Nós mudamos tanto o mundo que os cientistas dizem que estamos em uma nova era geológica: o Antropoceno, a era dos humanos”.

Antes de Davos, Attenborough já havia feito um alerta semelhante. Em dezembro do ano passado, na Conferência das Nações Unidas para o Clima, COP24, na Polônia, ele afirmou que “o colapso de nossa civilização e a extinção de grande parte do mundo natural despontam no horizonte”.   Ainda segundo ele, estamos presenciando um desastre em escala global provocado pelo homem, nossa maior ameaça em milhares de anos: as mudanças climáticas.

Agora, na Suíça, o naturalista destacou que é preciso deixar a culpa e a vergonha para trás e agir urgentemente. “Ainda há tempo para o homem criar um mundo com ar e água limpos, energia ilimitada e estoques sustentáveis de peixes, mas apenas se ações decisivas forem tomadas agora”, ressaltou. “O que fizermos agora, e nos próximos anos, afetará profundamente os próximos milhares de anos”.

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Foto: reprodução Facebook David Attenborough fanpage e vídeo The Guardian

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em ““O Jardim do Éden não existe mais”, diz naturalista David Attenborough, sobre impacto do homem no planeta

  • 22 de janeiro de 2019 em 9:40 AM
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    Se arrancamos a flor plantada porque é pouco, só admirá-la; se derrubamos árvores e ninhos sem desprender uma só lágrima; se poluímos nascentes porque depreciamos sua riqueza; se colhemos frutos para não consumi-los porque não os plantamos para colher; se inventamos gaiolas para aves que voavam e arapucas para animais nascidos livres porque nos apraz acorrentar outros espécimes para faze-los escravos submissos ou consumir suas entranhas; se em tudo o que tocamos, fauna e flora, deixamos nossa marca, o sangue delas; nesse belo jardim, chamado TERRA, presente de um Pai para Seus filhos, porque não o soubemos conservar, não mais o merecemos habitar, porque ELE é justo.

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