O Hyperloop vem aí!

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Artigo publicado, originalmente, na edição de março/2016 da revista Época Negócios

Que tal ir de São Paulo ao Rio de Janeiro em metade do tempo e um terço do preço da ponte aérea? E se além disso a viagem fosse neutra em emissões de carbono e a infraestrutura pudesse ser montada em alguns meses?

Avião, barco, trem ou ônibus, nenhum dos atuais modais de transporte é capaz desta proeza, mas um novo tipo de transporte batizado de Hyperloop é o principal candidato a promover esta revolução. O loop refere-se ao modo de conexão, sempre em voltas e o hyper refere-se a possibilidade de andar a velocidades hipersônicas.

O conceito é aparentemente simples: cápsulas de transporte de passageiros são aceleradas magneticamente até 1200 km/h num tubo despressurizado (quase vácuo). A ideia foi concebida originalmente por Elon Musk e um time de engenheiros da SpaceX e Tesla, que publicaram, em 2013, documento de 70 páginas explicando como o Hyperloop poderia funcionar. Ao anunciar o conceito, declararam o projeto aberto para quem quisesse desenvolver.

A motivação era propor uma alternativa ao projeto do trem bala que se pretendia instalar entre São Francisco e Los Angeles (620 km) a um custo de US$ 60 bilhões, com quase uma década para construção e que faria a viagem mais lenta que um avião. Quando anunciou a idéia, Musk disse que era possível implementar na metade do tempo e a um décimo do custo um meio de transporte pelo menos duas vezes mais rápido e ainda fazê-lo utilizando apenas energia renovável.

Logo após o lançamento da ideia, diversos grupos começaram a se organizar, experimentar os conceitos e viabilizar os primeiros protótipos. Duas startups concorrem para ver quem coloca o conceito em prática mais rápido – Hyperloop Transportation Technologies (HTT)iniciativa colaborativa que envolve centenas de pesquisadores e engenheiros, especialmente dos EUA, e Hyperloop Tech (HTech)com sede e fábrica em Los Angeles. A HTT já constrói uma pista (ou tubo) de teste em Quay Valley, na Califórnia, e a HTech faz o mesmo no deserto de Nevada. Ambas devem estar em funcionamento este ano.

A competição promovida pela SpaceX para produzir alternativas de cápsulas (ou pods como são chamadas), lançada em meados de 2015, atraiu mais de 700 propostas de diferentes universidades e 20 delas foram selecionadas para testá-las no campo de teste da HTT, ainda em 2016.

No ritmo atual, não será surpresa se as primeiras aplicações comerciais do Hyperloop entrarem em operação antes de 2020.

Mas o transporte de passageiros é só uma das aplicações. Talvez a maior revolução seja a aplicação desta tecnologia para o transporte de carga. Um container poderia ser enviado da China para os EUA, no mesmo dia, por tubos submarinos com custos substancialmente menores que o transporte marítimo. Como é um tubo fechado não sobre com intempéries ou mau tempo.

Para avançarmos no objetivo de zerar as emissões de gases de efeito estufa em meados do século, é fundamental nos livrarmos da dependência dos combustíveis fósseis no transporte de carga e de passageiros. A eletrificação do transporte rodoviário de passageiros é uma realidade em implementação, mas o transporte aéreo e o transporte de carga – que representam mais de 5% das emissões globais – permanecem como um enorme desafio a ser vencido. O Hyperloop pode ser a chave para alavancar a revolução necessária no setor de transportes.

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Protótipo concebido pela Hyperloop Transportation, iniciativa de diversos pesquisadores e engenheiros


Imagens: divulgação Hyperloop Transportation Technologies

Engenheiro florestal, consultor e empreendedor social em sustentabilidade, floresta e clima. Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima e colunista de O Globo e revista Época Negócios. Foi diretor geral do Serviço Florestal Brasil, diretor executivo do Imaflora e curador do Blog do Clima

Tasso Azevedo

Engenheiro florestal, consultor e empreendedor social em sustentabilidade, floresta e clima. Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima e colunista de O Globo e revista Época Negócios. Foi diretor geral do Serviço Florestal Brasil, diretor executivo do Imaflora e curador do Blog do Clima

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