“O Homem e a Natureza”: mais imagens vencedoras do concurso de fotografia Afnatura

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Homem e meio ambiente estão intrinsecamente ligados. Só existimos neste planeta, graças à natureza. E nossa vida na Terra influencia diretamente a sobrevivência de plantas, animais e ecossistemas.

Para mostrar esta relação tão delicada e importante (que nem sempre tem um final feliz, como mostra a chocante imagem que abre este post), uma das categorias do 1o Concurso Nacional de Fotografia de Natureza, promovido pela Associação Brasileira de Fotógrafos de Natureza (Afnatura) foi O Homem e a Natureza.

Nas últimas semanas, temos publicado, aqui no Conexão Planeta, os ganhadores do concurso, que recebeu mais de 4 mil inscrições de todo o país. As demais categorias que concorreram ao prêmio foram Paisagem Brasileira; Pequeno Mundo; Fauna e Subaquática.

Confira abaixo, então, as fotografias vencedoras de “O Homem e a Natureza”:

1º Lugar
Raphael Genuíno de Araújo

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Relato do Autor: “Tenho o costume de observar o bairro e a cidade onde moro. Uso a bicicleta como meio de transporte e acho que isso me ajuda na percepção do espaço onde vivo e a transformação da paisagem urbana. Sempre que é possível tento fazer percursos diferentes e desvios por lugares pouco rotineiros. Há alguns anos registro casas abandonadas e suas estruturas sendo derrubadas. Fotografo a transformação da cidade que já foi um lugar essencialmente formado por casas e terrenos baldios e que hoje são cada vez mais raros e dão lugar a grandes empreendimentos imobiliários. 

Esta foto foi tirada em um desses dias, em que andava de bicicleta, a casa já havia sido demolida, mas me chamou muita à atenção a pintura naturalista dos seus muros internos que ainda estavam de pé. Passava ali diariamente, mas só foi possível observar a casa e o grande terreno que ela ocupava quando a construtora responsável pela obra resolveu trocar os tapumes que a cercavam.  Ao adentrar no terreno, tinha a intenção de fotografar somente os muros pintados de paisagem natural, o que para mim já gerava um contraste interessante entre natural, urbano, ação do homem. Fiquei ali alguns minutos, até aparecer a primeira coruja, que caprichosamente parecia posar para mim. Fiz alguns cliques e logo percebi que se tratava de uma família que morava num buraco em baixo do resto de chão que sobrou da casa. 

Na verdade, essa primeira coruja estava agindo como uma sentinela, protegendo sua família, chamando minha atenção. Quando fui me aproximando do buraco saíram mais corujas e pude observar três grandes e mais dois filhotes.  Respeitei o aviso dado por elas, caras de poucos amigos, voos rasantes e barulhos, me afastei. Observei por alguns minutos aquela família de corujas, ainda deu tempo de ver um grupo de anus-pretos, fui embora, com inúmeros pensamentos, logo aquelas corujas seriam desalojadas e fica um sentimento de impotência em meio ao ciclo de “progresso” do homem. Em uma observação desatenta a foto da coruja se confunde em meio à pintura da parede uma dicotomia visual entre o natural e o artificial.”

Menções Honrosas

Leonardo Merçon

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Relato do autor:  “No complexo florestal em que a Reserva Biológica de Sooretama está inserida, os animais de grande porte possuem uma população reduzida, logo, quando um deles é atropelado, aumenta-se a possibilidade de que a espécie seja extinta, naquela região. Durante a noite, os faróis dos carros cegam temporariamente os animais que tentam atravessar a BR-101, deixando-os atordoados e vulneráveis a atropelamentos. Apesar de ser um animal ágil, esse jovem macho de onça-parda (Puma concolor), também conhecida como sussuarana, infelizmente não escapou. No Brasil, o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas estima que cerca de 475 milhões de animais silvestres sejam atropelados por ano. No bloco florestal em que a Reserva Biológica de Sooretama está inserida, são cerca de 50 animais vertebrados (desde pequenos anfíbios e répteis até animais de grande porte como onças e antas), atropelados todos os dias, segundo pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo.”

Enrico Marcovaldi

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Relato do autor: “Foto produzida na Foz do Rio Tutuamunha, em  Porto de Pedras no estado de Alagoas. Fotografia realizado durante os trabalhos para o Projeto Peixe Boi Marinho. Animal dócil , carismático  e fotogênico.”

Ed Andrade Júnior

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Relato do autor: “Olaria – Vila Vintém, Cantá-RR. A Ponte dos Macuxis é o limite entre os municípios de Boa Vista e Cantá, e logo após a ponte existe a muitos anos uma olaria de onde várias famílias, como forma de sustento, retiram o barro pra produção de telhas e tijolos artesanais. Grande parte de Boa Vista foi erguida a partir dessa produção. Sempre tive a curiosidade em poder ver do alto como estaria a situação daquela área após tantos anos de retirada de material da beira do rio. Em uma oportunidade fiz um sobrevoo pelas cidades do entorno de Boa Vista, pedi ao piloto para passar por cima da olaria e se possível que inclinasse o avião, de forma que conseguisse um ângulo parecido com fotos de satélite. Eu estava bem amarrado aos bancos da aeronave e com segurança ele fez a manobra. Fiz apenas dois cliques desse momento. Essa foto é uma delas e mostra o que o uso desordenado e por tanto tempo pode causar a natureza.”

Iuri Portillo

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Relato do autor: “Fotografia tirada em julho de 2015 no Pico dos Marins, próximo à Piquete-SP. A foto foi tirada com uma Cânon T3 e uma lente 18-55mm , conseguir a imagem não foi muito fácil ,a altitude de 2400m e a baixa temperatura faziam com que água se condensasse na lente, acertar o foco no infinito támbem foi um desafio, uma vez que a lente não vem com a marcação. Após as nuvens darem uma trégua e o pessoal diminuir a iluminação nas barracas, aproveitei o momento, o centro da galáxia estava em cima da minha cabeça , para conseguir enquadra-lo com as barracas precisava de uma panorâmica , para isso tirei uma sequência de 5 fotos com a ajuda de um tripé rudimentar, ajustei a máquina com 25 segundos de exposição , abertura /3.5 e ISO 1600. Apesar dos perrengues fotografar é sempre uma ótima experiência, afinal, qual seria a graça se tudo desse certo!”

Fotos: divulgação Afnatura

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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