O estupro coletivo: até quando as mulheres serão subjugadas?

estupro coletivo e a violência contra as mulheres

Estamos todos chocados. Perplexos. Envergonhados. Não faltam adjetivos. Estamos atônitos perante a barbárie e selvageria a que a jovem de 16 anos foi vítima numa favela do Rio de Janeiro. “Estupro coletivo”. É esta palavra que está entalada em nossa garganta. O ato envolveu um, dois, três … 33 homens. Ou deveríamos dizer: 33 animais? Não. Não há nenhum registro de animais se comportando desta maneira. No reino animal, nunca houve uma tragédia como esta.

Em que momento estes homens se transformaram em monstros e deixaram de lado sua humanidade?

A grande questão é que não deveríamos estar tão surpresos assim. A violência contra a mulher ocorre há milênios. Das mais diferentes formas. Das mais disfarçadas maneiras. Nas ruas, homens acreditam ter o direito de fazer os mais sujos e pejorativos comentários em relação a elas. A isso, se dá o nome de “cantada”.

Em muitas sociedades, meninos e meninas são – ainda hoje – criados para exercerem papéis distintos. Elas devem ajudar na cozinha. Eles podem jogar futebol lá fora. Elas devem ser dóceis. Eles podem ser agressivos. “Menino não chora”. Sim, ainda é possível ouvir isso.

Para algumas culturas, a mutilação genital é aceitável. O apedrejamento por causa do adultério também. A mulher ser humilhada é simplesmente uma atitude corriqueira do dia a dia.

A barbárie está em todo lugar. Está no atentado contra a jovem paquistanesa Malala, que em 2012, quase perdeu a vida, porque lutava para que as meninas de seu país pudessem frequentar a escola. Foi baleada pelo Taliban.

A selvageria está na Nigéria, onde mais de 250 meninas foram raptadas pelo grupo extremista Boko Haram, em 2014. Uma delas – só uma – reapareceu recentemente, com um bebê nos braços.

E agora a brutalidade é esfregada em nossa cara no Brasil: o estupro coletivo do qual participaram 33 homens, que acharam que não haveria problema nenhum em publicar algo tão repugnante nas redes sociais.

Estes monstros são a cria de uma sociedade que acredita que a “natureza” do menino é mais agressiva. Que o garoto que não respeita as meninas é “garanhão”. Que a propaganda de cerveja precisa ter necessariamente uma mulher vestindo shorts e mostrando o peito. Que a mulher “pediu para ser estuprada”.

Não há como discutir com uma alegação como esta. Ela não merece resposta. Acabar com a violência contra as mulheres depende de nós todos. Da maneira como vamos criar nossos filhos e filhas.

Mas depende também da justiça. Que ela seja imparcial. Que trate a mulher com respeito e dignidade. É isso que todos nós queremos.

A vida da jovem do Rio de Janeiro nunca mais será a mesma. E nós, seremos os mesmos?

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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