O encontro com o cervo-do-pantanal

O encontro com o cervo-do-pantanal

Frequento o Pantanal desde 1985 e um dos meus sonhos era fazer boas fotos do cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), imponente como ele é.

Estive no final da década de 90 na fazenda Caiman, no município de Aquidauana, fazendo fotografias gerais de paisagens, flora e fauna do Pantanal Sul.

Era o período de vazante e caminhando em direção a uma lagoa, já com pouca água, vi de longe e ainda no meio da vegetação, um belo macho do cervo-do-pantanal, deitado na lama com duas fêmeas em pé ao seu redor.

Me agachei e fui me aproximando, quase me arrastando, “escondido” atrás do equipamento. Antes disso verifiquei a quantidade de fotos restantes no filme. Ainda havia umas dez no rolo de 36.

Hoje, na era digital, isso não é problema, um cartão faz muitas centenas de fotos, mas eu só tinha mais dez!

Imaginava o que de fato aconteceu. Eu faria mais de dez imagens daqueles cervos. Então, como já havia feito inúmeras vezes, sacrifiquei o restante do filme ainda virgem para colocar um novo de 36. Doeu no bolso, mas era o jeito de garantir mais fotos no tempo do filme!

Fui chegando mais próximo até que o macho levantou. Sujo de lama, ele dava uns passos majestosos, parava, ficava me olhando… Seguiu mais alguns passos, até que sumiu atrás da vegetação.

Consegui fotos lindas dele até quase acabar o filme. Aí baixou a adrenalina do flagrante e vieram as fêmeas em minha direção. Uma delas chegou tão próximo que não dava mais enquadramento! Ficou bem tranquila perto de mim e então, seguiu o rumo do macho.

Passada a emoção de ver de tão perto animais magníficos e majestosos como estes, veio outro frio na barriga de quem fotografava com filme. A eterna dúvida antes da revelação. Será que ficaram boas? Será que os cromos não vão estragar na revelação? (coisa que acontecia com certa frequência).

Felizmente na volta deu certo. Retornei com mais de uma centena de filmes que mandei revelar aos poucos. Quando vi a foto me tranquilizei, pois o material daquela viagem ficou bom e esta imagem em especial, que abre este post, ficou como eu imaginava!

O Pantanal traz sempre boas surpresas!

cervo-do-pantanal

*Nikon F4 – Lente: Nikon 600mm F4 – tripé Manfrotto Profissional 028B – filme Fuji RDP100

Zig Koch

Fotógrafo profissional com ênfase em imagens de natureza, turismo e viagens. Autor de 14 livros e 25 exposições individuais, sendo quatro internacionais. Percorreu todos os biomas brasileiros, viajou para vários países de outros continentes, fotografando para revistas, ONGs e empresas.

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