Nunca é tarde para reutilizar vigas de aço

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selo-economia-criativa-especial-XTransportar um hangar inteiro de uma cidade para outra, a quase 80 quilômetros de distância, não parece nada racional. Mas quando se trata de uma estrutura de aço em bom estado, desmontável e ociosa, a perspectiva de reúso começa a fazer sentido.

Foi o que aconteceu com um hangar T2, construído pela Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial para abrigar aeronaves em frentes de batalha. A estrutura ficou na Holanda desde os anos 1940 e, em 1968, foi adquirida pela prefeitura de Rotterdam. Instalada no aeroporto daquela cidade, ainda serviu como hangar por muitos anos até ser considerada obsoleta e ser abandonada. Então surgiu a necessidade de construir uma estação de ônibus ao norte do aeroporto Schiphol, em Amsterdam, e a estrutura de aço ganhou nova vida em 2015.

O escritório responsável pela obra – Claessens Erdmann Arquitetos & Designers – projetou um espaço maior entre as vigas de aço, “esticando” o comprimento original, de 73 para 100 metros. Todas as vigas passaram por “funilaria” para recuperar pontos e manchas de ferrugem, depois foram pintadas, ficando em perfeito estado para sustentar o telhado de policarbonato transparente, sem paredes.

A iluminação é natural, durante o dia, e 138 conjuntos de lâmpadas LED alimentadas por 22 painéis solares (e respectivas baterias) garantem claridade para as noites. Luzes brancas são orientadas para baixo, para iluminar a plataforma central com duas fileiras de oito paradas de ônibus, uma de cada lado. Mas os conjuntos LED também têm lâmpadas coloridas, programadas por computador. Voltadas para cima, elas podem deixar o telhado com as cores nacionais, em feriados holandeses, ou de outras cores, conforme a ocasião.

A estação de ônibus ainda tem uma área de descanso para motoristas; uma área de espera para passageiros, com bancos e divisórias de madeira certificada e um grande estacionamento para bicicletas. Tudo foi pensado de forma a manter unidade visual com o aeroporto Schiphol, embora a estação de ônibus esteja relativamente distante, numa área aberta, servindo como nó de transferência para o transporte público dos bairros e cidades a norte da capital holandesa.

O custo total da obra foi de 31 milhões de euros, metade dos quais saíram dos ministérios da Infraestrutura e do Meio Ambiente. Mais do que longos discursos sobre a necessidade de reaproveitar recursos naturais, a estação de ônibus Schiphol Norte é um testemunho eloquente de racionalidade, funcionalidade e eficiência no reúso de velhas estruturas.

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O velho hangar T2, como era nos anos 1940 (Foto: Divulgação)

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Reutilização do hangar T2 no aeroporto de Rotterdam, em 1968  (Foto: Divulgação)

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Reúso da velha estrutura de aço como estação de ônibus, em 2015  (Foto: Liana John)

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Vinte e dois painéis solares garantem iluminação autossuficiente
(Foto: Claessens Erdmann Architects & Designers)

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Luzes de LED coloridas vestem a estação com as coras holandesas
(Foto: Claessens Erdmann Architects & Designers)

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As cores do telhado são programadas por computador
(Foto: Claessens Erdmann Architects & Designers)

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Um estacionamento coberto protege as bicicletas dos usuários  (Foto: Liana John)

0abre_LianaJohnA estrutura original de 73 metros foi “esticada” para 100 metros. É o que se vê na foto de abertura e acima
(Fotos: Liana John)

Agora, assista ao vídeo que explica melhor como foi esse processo de reutilização da estrutura de aço que agora abriga os ônibus numa estação rodoviária. Em seguida, saiba mais detalhes deste especial sobre Economia Criativa.

Economia Criativa

Esta reportagem faz parte do Especial que apresenta uma série de 10 reportagens sobre reciclagem de resíduos na Holanda que realizei a convite do Ministério das Relações Exteriores daquele país. Lá, visitei empresas recicladoras holandesas que podem nos servir de exemplo e inspiração para o desenvolvimento de uma Economia Circular brasileira.

Saiba mais no primeiro post que escrevi – É hora de apostar na Economia Circular  – e acompanhe os temas que fazem parte deste especial:

  1. Reaproveitamento de couro de sofás
  2. Novas funções para velhas estruturas de aço (este post)
  3. Colchões de espuma para isolamento térmico
  4. A difícil arte de separar fibras têxteis
  5. Os 3Rs no universo das filmagens
  6. Lixeiras com eficiência máxima
  7. Carga pesada no desmonte de navios
  8. Reciclagem de eletrodomésticos
  9. Do papel ao papel
  10. Almere, uma cidade com meta Zero Resíduos
Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

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