Número recorde de peixes-bois aparecem mortos na Flórida

Número recorde de peixes-bois aparecem mortos na Flórida

Só até este mês de agosto, mais peixes-bois morreram no estado americano da Flórida do que no ano todo de 2018. Já são 540 animais mortos, em comparação a 538 em 2017. Os números indicam que a população total da espécie deve ser reduzida em 10%.

Biólogos estão alarmados com os números e acreditam que duas podem ser as causas pelo óbito dos peixes-bois. A primeira delas foi uma frente fria, atípica, que ocorreu na Flórida no começo do ano. A segunda é a proliferação em massa de uma alga vermelha tóxica, que está tirando a vida não só desta espécie, mas centenas de outros animais marinhos, conforme mostramos aqui, neste post no começo da semana.

“Os peixe-bois da Flórida não têm proteção contra a alga vermelha”, afirma Jeff Ruch, da organização PEER.

Como são herbívoros, eles não comem os peixes contaminados com as algas tóxicas, todavia, absorvem a toxicidade através da pele, da água e das plantas, com as quais se alimentam.

Além disso, estes mamíferos aquáticos são muito vulneráveis às mudanças climáticas, como, por exemplo, alterações bruscas de temperatura e a acidificação da água do oceano.

Estima-se que existam aproximadamente 6 mil indivíduos da espécie Trichechus manatus na Flórida – também chamada de manati -, que é considerada ameaçada de extinção. Depois de décadas com números em declínio, principalmente na década de 90, recentemente, o número de peixes-bois tinha voltado a aumentar.

Existem quatro espécies de peixe-boi no mundo, e uma delas vive apenas em água doce, no Brasil, mais especificamente na Amazônia.

Com cara arredondada, olhos pequenos e corpo roliço, estes animais podem ter sua cor variando entre cinza e marrom-acinzentado. Não possui orelhas, mas escuta muito bem. Os ouvidos são dois pequenos orifícios, localizados um pouco atrás dos olhos.

Extremamente dócil, o peixe-boi é um gigante das águas. Pode chegar a pesar 600 quilos e medir até quatro metros de comprimento.

*Com informações do jornal The Guardian 

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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