Número de empresas com metas de redução de carbono dobra em cinco anos

imagem de indústrias emitindo dióxido de carbono
Paris não é Copenhague. Entre as convenções globais do clima na Dinamarca, em 2009, e agora, na França, influência de investidores com poder trilhonário faz mais empresas assumirem compromissos para reduzir poluição. Mais da metade das companhias com ações na bolsa em todo o mundo já divulgam suas emissões de carbono.

No incerto mundo das mudanças climáticas neste século 21, uma das poucas certezas, senão a única, é que a atividade econômica, em geral, será forçada a emitir cada vez menos gases de efeito estufa. No proporcional e no absoluto. Assim, agem melhor as empresas que já sabem disso, aprenderam algo lidando com o tema e enxergaram alguma motivação para começar a incluir os efeitos da mudança climática também nas suas planilhas de negócios.

Quando essa motivação é um convite feito por mais de 800 investidores institucionais globais, que administram 95 trilhões de dólares, fica ainda mais atrativo, quase irresistível, para as companhias prestarem atenção de verdade, aos seus impactos ambientais. O fato é que, com a imensa influência desses investidores e a ambição de criar um sistema global para que empresas e cidades meçam, gerenciem e compartilhem informações vitais sobre meio ambiente, a organização internacional sem fins lucrativos Carbon Disclosure Program (CDP) reúne um gigantesco banco de dados sobre clima e água. Possivelmente, o maior desse gênero em todo o planeta.

Alguns números da edição global do Climate Change Report, que acaba de ser publicado pelo CDP, ilustram a evolução nos últimos anos. Os números cobrem o que se poderia chamar de período Copenhague/Paris, isto é, entre a grande expectativa e grande frustração da convenção do clima em 2009, na Dinamarca e a grande expectativa (e, espera-se, um acordo estruturante, com os grandes elementos necessários para uma ação global e efetiva), daqui a semanas, na França.

Entre a convenção do clima em Copenhague e a convenção agora em Paris, o número de empresas que reportam seus dados ao CDP saltou de 1799 para 1997 e já representam 55% das empresas com ações na bolsa em todo o mundo. Quase todas oferecem incentivos econômicos para gestão e mudanças climáticas. E, muito importante, o número de empresas que assumiram metas de reduzir suas emissões de carbono mais do que dobrou em cinco anos. Eram 377 e passaram a 998. No Brasil o salto foi de quatro para 16 no período.

Na América Latina a adesão de empresas aos relatório de clima e água do CDP quadruplicou. E, pela primeira vez uma companhia latino-americana, o grupo financeiro mexicano Banorte, entrou para o índice global, que reconhece negócios com ações e compromissos robustos para reduzir emissão de carbono e mitigar riscos das mudanças climáticas. No lista brasileira, as três maiores  pontuações são Braskem, Vale e Cemig. “A metodologia de pontuação do CDP estimula as empresas a buscarem a melhoria contínua e tem contribuído para mudar a narrativa sobre gestão ambiental de uma visão de custos para a de oportunidades econômicas e vantagens competitivas”, diz Juliana Lopes, diretora do CDP para a América Latina.

*Este texto foi originalmente publicado no blog Clima 21 do canal de Sustentabilidade do Estado Online, no dia 04/11/2015

Foto: domínio público/pixabay

Caco de Paula, Blog Clima21 - Estadão Online

Caco de Paula é jornalista, criador do Planeta Sustentável e coautor do gibi Heróis do Clima. Foi diretor da edição brasileira da revista National Geographic e presidente do Global Compact no Brasil. Organizou e dirige a agência AUÁ Brasil, dedicada a reunir talentos, prestar consultoria e implantar projetos de comunicação e sustentabilidade. Escreve o blog CLIMA21 no site do jornal O Estado de São Paulo

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