Novo personagem Pokémon é um coral morto, extinto pela mudança climática

Novo personagem Pokémon é um coral morto, extinto por causa da mudança climática

Desde 1995 esses pequenos seres criados pelo japoneses são uma febre global entre as crianças. Os personagens Pokémon atravessam gerações e continuam populares entre jogadores de games do mundo todo (depois de Mario, Pokémon é a franquia de mídia de jogos mais bem sucedida e lucrativa do planeta).

Com um poder desses na mão, os criadores dessas criaturas sabem que podem influenciar (e muito) os jovens e também, conscientizá-los sobre alguns temas.

Pois na mais recente versão do jogo lançada, Sword and Shield, em que as criaturas vivem em um universo chamado de Galar, o Pokémon Corsola, um coral que até então era cor-de-rosa, aparece completamente branco e com feições muito tristes, lembrando um fantasma. Aliás, ele é descrito como um fantasma!

O Corsola Galariano ficou assim porque “foi dizimado pela mudança climática“, explica o jogo às crianças. Em versões anteriores do Pokemón, elas já haviam sido alertadas que a poluição ou a sujeira fariam com que o Corsola migrasse para águas mais limpas, para que não perdesse sua cor e se deteriorasse.

Novo personagem Pokémon é um coral morto, extinto por causa da mudança climática

Corsola original: um coral rosa e sorridente

E quando o Corsola Galariano atinge sua próxima evolução (esse é um dos principais objetivos do Pokémon: que os personagens evoluam), ela é ainda mais triste. Ele se transforma no Cursola, com uma forma que faz lembrar o esqueleto de um coral, com vários braços esbranquiçados.

O impacto da mudança climática na Grande Barreira de Corais

Um dos principais símbolos da luta pela preservação dos corais no planeta é certamente a Grande Barreira, na Austrália – o maior sistema de recife de corais do mundo, com 2.300 km de extensão, na costa de Queensland. Ali vivem 1.500 espécies de peixes, 411 tipos de corais duros e nada menos do que 1/3 dos corais moles do planeta.

Pelas suas águas, nadam ainda 134 espécies de tubarões e arraias, seis das sete espécies de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção, e um sem número de mamíferos aquáticos, entre eles, o adorável dugong, animal da família do peixe-boi.

Mas nas últimas décadas, a Barreira de Corais tem sofrido um impacto enorme causado pelas mudanças climáticas e o desproporcional e trágico descarte de lixo nos oceanos.

Em 2015 e 2016, a Grande Barreira da Austrália enfrentou um dos piores “branqueamentos” de sua história. A catástrofe provocou a morte de mais de 20% de seus corais.

O branqueamento ocorre quando algum estresse, normalmente térmico, que faz o coral expulsar as algas microscópicas que vivem em simbiose com ele. Essas algas, chamadas zooxantelas, são a principal fonte de alimento do coral e lhe dão cor. Quando o mar esquenta demais, elas vão embora. O coral passa fome e fica mais suscetível a doenças. Em muitos casos ele morre (leia mais aqui).

*O nome Pokémon é uma abreviação da marca japonesa Pocket Monsters. Satoshi Tajiri, inventor dos personagens, se inspirou na sua infância, quando adorava colecionar insetos.

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Imagens: reprodução internet

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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