Novas espécies de peixes (minúsculos) são descobertas no Mato Grosso do Sul

Eles medem cerca de 3 centímetros. E são endêmicos da região do Cerrado, no Mato Grosso Sul. Isso significa que só são encontrados aqui e em nenhum outro lugar do mundo. Os peixinhos, conhecidos como killifishes, vivem em pequenas nascentes que drenam áreas de campo. Foram encontrados por pesquisadores próximo à bacia do Rio Paraná.

A descoberta das três novas espécies foi relatada em um artigo científico publicado recentemente pelo periódico Zoosystematics and Evolution, que pode ser conferido neste link.

Desde 2011 a equipe de pesquisadores do Instituto Pró-Pampas estuda espécies como essas de peixes. O projeto teve início no Rio Grande do Sul e noticiamos aqui, em dezembro do ano passado, quando foi feito o registro da descoberta do Austrolebias camaquensis, na bacia do Rio Camaquã, nos municípios de Encruzilhada do Sul e Canguçu, na região dos pampas.

O Austrolebias camaquensis é um peixe anual. São chamados assim os animais que possuem um ciclo de vida curto e regido pelo clima. No caso daquela espécie, este período varia entre seis e sete meses, tempo este em eles habitam poças temporárias nos pampas gaúchos.

Agora os biólogos gaúchos comemoram o achado no Mato Grosso do Sul. “Este trabalho foi um grande desafio, pois saímos do local onde estamos acostumados a trabalhar e nos aventuramos pelas veredas do Cerrado. Durante 12 dias intensos de pesquisas, desbravamos um bioma completamente diferente e, como recompensa, tivemos a descoberta dessas espécies que representam uma grande vitória para nós e para o meio ambiente”, declarou Matheus Volcan, responsável técnico do projeto.

Os pesquisadores alertam, entretanto, que devido a ainda serem pouco conhecidas, as novas espécies já são consideradas ameaçadas de extinção. Por serem peixes muito pequenos e pelos locais onde vivem e se desenvolvem, muitas vezes não são notados pela população e desconsiderados ou negligenciados em estudos de licenciamento ambiental. “O desconhecimento da sociedade, e principalmente dos gestores ambientais órgãos ambientais, é um dos grandes fatores que causam a perda e degradação do ambiente onde as espécies habitam. A construção de um açude ou até mesmo de uma estrada em uma área de ocorrência da espécie pode eliminá-la totalmente e levá-la à extinção”, ressalta.

A nova espécie mede cerca de 3 centímetros

O projeto do Instituto Pró-Pampas no Cerrado, que teve financiamento da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, é resultado de uma extensão do projeto Peixes Anuais dos Campos Sulinos, que teve apoio ainda do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no contexto do Plano de Ação Nacional para Conservação dos Peixes Rivulídeos.


Foto: divulgação Instituto Pró-Pampas

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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