Nossa fome insaciável por carne está destruindo o planeta

Nossa fome insaciável por carne está destruindo o planeta

Para atender a voracidade da atual dieta do ser humano, baseada cada vez mais no alto consumo de proteínas, vastas áreas da Terra estão sendo transformadas em plantações de soja e outros cultivos para alimentar vacas, bois, galinhas, porcos e outros animais, os grandes favoritos em nossos pratos nas últimas décadas.

O alerta foi dado ontem (05/10) pela organização WWF, no relatório “Apetite pela Destruição”. Até hoje, muito se falou sobre o desmatamento para uso da pecuária, mas o que este novo estudo revela é que, para alimentar os animais desta indústria gigantesca da carne, imensas áreas de florestas estão sendo colocadas abaixo para o plantio de soja e demais culturas.

De acordo com o WWF, 60% das perdas da biodiversidade do planeta são provocadas pela nossa dieta baseada, sobretudo, em laticínios, carne e alimentos processados. Entre as regiões que sofrem a maior pressão estão a Amazônia, a Bacia do Congo e o Himalaia.

O documento mostra, por exemplo, que apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar o consumo diário de 44 a 55 gramas de proteína, a população do Reino Unido ingere, em média, 64 a 88 gramas, dos quais 37% são provenientes da carne.

Por outro lado, pesquisas apontam que a galinha que comemos hoje, em comparação àquela dos anos 70, tem mais gordura, e o peixe, vindo de fazendas, possui menos omega-3. Ou seja, a produção em massa de animais está deteriorando a qualidade do alimento que consumimos. Especialistas da área médica já advertem que a dieta baseada numa quantidade alta demais de proteínas tem provocado um aumento de casos de doenças cardíacas, derrames e diabetes tipo 2.

Outro dado estarrecedor apresentado por “Apetite pela Destruição” é que, em 2014, havia mais de 23 bilhões de galinhas, perus, patos e gansos em fazendas, algo em torno de três aves por habitante no planeta.

O que precisa ser entendido é que a produção de alimentos atual no mundo já é suficiente para atender a demanda de toda a população global. Não há necessade de aumentar ainda mais sua escala. O grande problema a ser combatido é o desperdício. O que acontece é que 1/3 da produção de alimentos não chega à mesa do consumidor final – ela se perde na distribuição, logística ou mesmo, no descarte feito pelos padrões de estética do varejo.

Mais do que tudo, nossa dieta tem de ser revista. Se ingeríssemos a quantidade de proteína recomendada pela OMS, haveria uma redução de 13% na área total utilizada pela agricultura. Para se ter uma ideia, isso significaria que 650 milhões de hectares, ou uma área do tamanho de 1,5 da Comunidade Europeia, estaria a salvo da produção agropecuária.

Repense o que você come! Ao consumir menos carne e proteínas, você estará ajudando outras espécies do planeta a sobreviver. Afinal de contas, o ser humano não é o único habitante da Terra.

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Fotos: domínio público/pixabay e ilustração WWF-UK

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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