No rastro da onça

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Desde minha primeira experiência fotografando a captura de uma onça pintada, nos cantões do Parque Nacional das Emas, em 1999, tomei um gosto particular por este bicho que vai além da fotografia.

Sempre me interessei pelas pesquisas, a busca de respostas que possam contribuir para a conservação de animais silvestres, notadamente deste felino tão ameaçador e atraente. Um paradoxo em forma de animal. E confesso que minha relação com este mundo da pesquisa de campo muitas vezes vai além do desejo de documentá-lo.

Já passei pela situação de tirar apenas uma foto (analógica) de uma linda onça em cima de uma árvore, para depois guardar meu equipamento e ajudar o pesquisador na captura. Mas, após tantos anos na busca desta espécie pelo Brasil, o que posso dizer é que nunca foi tão fácil ver e, até mesmo, fotografar uma onça.

Neste momento, estou finalizando a produção de um livro sobre onças pintadas, após 17 anos de envolvimento com pesquisas, histórias, mitos indígenas e ecologia sobre a espécie. E uma das viagens me levou à região de Porto Jofre, no Mato Grosso, lugar conhecido pela grande facilidade de observação de onças à beira do rio São Lourenço.

Para fotógrafos – profissionais ou curiosos – é um prato cheio! Qualquer pessoa pode fazer uma foto de onça-pintada, principalmente nesta região. Lá, médicos, dentistas, economistas e também alunos de workshop têm a fácil oportunidade de avistamento e documentação. E não é só isto; os hobbistas têm levado a brincadeira a sério, investindo em lentes teles caríssimas, equipamentos que, na época da fotografia analógica, apenas os profissionais compravam.

A explicação para este investimento por quem tem a fotografia como hobbie é simples: a era digital facilitou o acesso ao mundo fotográfico, pois as câmeras, mesmo nos comandos mais automatizados, geram fotos. Não entro no mérito da qualidade estética e da linguagem fotográfica, já que isto demanda estudo e dedicação (e um toque de dom) como qualquer arte. Se bem que isto também está sendo esquecido com o abuso das manipulações digitais…

Mas para um registro simples, basta um equipamento com uma lente minimamente potente e um sensor de qualidade, e se terá uma imagem. Ou milhares delas como “determina o manual da fotografia digital”.

Adriano Gambarini

Geólogo formado pela USP e especializado em Espeleologia, é fotógrafo e escritor desde 1992 e um dos mais ativos profissionais na documentação de projetos conservacionistas e etnográficos da atualidade. Autor de 13 livros fotográficos, dois de poesia e centenas de reportagens publicadas em revistas nacionais e estrangeiras. Ministra palestras e encontros sobre fotografia, conservação e filosofia de viagem.

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