No Dia Mundial do Pedestre, especialistas debatem estatuto e a mobilidade a pé nas cidades brasileiras


Quando tomei conhecimento da programação paulistana para esta Semana do Pedestre – o dia mundial é celebrado em 8/8 -, fiquei meganimada e senti uma sensação bem diferente dos anos anteriores. Isto porque somente em 2016 comecei a caminhar por São Paulo, onde vivo, todos os dias. A intenção era (re)iniciar uma atividade física, mas, em pouco tempo, andar a pé tornou-se um vício. Acordar às 5h30 pra isso, também.

Abandonei o carro na garagem e passei a fazer tudo assim: ir ao supermercado, à feira, ao cinema, à livraria, encontrar amigos… Num único dia, cheguei a caminhar 20 km e só me dei conta quando cheguei em casa e olhei o aplicativo que uso para registrar minhas performances. De vez em quando, pego o metrô, mas se dá tempo de ir a pé, não penso duas vezes.

E não foi só no corpo, na saúde e no estado de espírito que senti mudanças. Minha percepção sobre a cidade mudou. Explorei novos caminhos para ir ao mesmo lugar, conheci atividades interessantes que desconhecia no meu bairro. Passei a contemplar o céu de outro modo, conheci novas áreas verdes e ruas arborizadas que eu não fazia ideia que existiam. Identifiquei cuidados e abandonos, troquei gentilezas e ‘bom dia, boa tarde, boa noite’ com desconhecidos e me senti poderosa quando meu direito à rua foi respeitado pelos motoristas. Pena que, com a nova administração – que convida os paulistanos a acelerar! – isto mudou.

Incrível como um novo olhar para a cidade – que voltou a priorizar o carro -, eliminou a generosidade e a tolerância do dicionário de quem senta entre o banco e o volante. E, assim, já coleciono situações bem perigosas em meu currículo de pedestre. É só andar a pé por esta cidade maluca e linda pra entender o que digo aqui.

E, assim, me tornei uma incentivadora apaixonada da mobilidade a pé e entendo que, para que as pessoas ocupem cada vez mais as ruas assim, é muito importante participar, ler e debater sobre esse tema. Uma cidade sem pedestres, é uma cidade ‘morta’, sem vida. E o dia que celebra quem anda a pé – Dia Mundial do Pedestre -, é sempre uma boa oportunidade para novas reflexões e ideias.

Nessa linha, o debate promovido pelo projeto Como Anda em São Paulo, enriquecerá o tema ao analisar o Estatuto do Pedestre, sancionado recentemente em São Paulo, e sua repercussão no país.

Vida de pedestre nas cidades brasileiras

Na capital paulistana, entre inúmeras atividades interessantes (como a Semana do Caminhar 2017, promovida pelo Sampa a Pé de 7 a 13/8), serão realizadas duas mesas-redondas sobre o Estatuto do Pedestre: oportunidades e desafios nas cidades brasileiras, organizadas pelo projeto Como Anda (do qual já falei aqui, no Conexão Planeta), desenvolvido pela Cidade Ativa e pela Corrida Amiga, com o apoio do Instituto Clima e Sociedade.

Os debatedores são pessoas que influenciam e participam da tomada de decisões relacionadas aos marcos regulatórios municipais:

– José Police Neto, vereador de São Paulo e principal redator do projeto de lei do Estatuto
– Sérgio Avelleda, Secretário de Mobilidade e Transportes de São Paulo
– Meli Malatesta, Presidente da Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP
– Alexandre Arraes, vereador e presidente da Frente Parlamentar Rio Cidade Caminhável
– Glaucia Pereira, membro da Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo
– Erika Mota, gerente da Associação Brasileira de Cimento Portland.

Serão dois bate-papos – com mediação de Rafaella Basile, da Cidade Ativa, e Silvia Stuchi, da Corrida Amiga – realizados no MobiLab – Laboratório de Mobilidade Urbana (Rua Boa Vista, 136 – Centro, SP), das 14h às 17h. A inscrição é gratuita. Quem não puder acompanhar ao vivo, poderá assistir à transmissão ao vivo pelo Facebook.

Cidade para Pedestres, a caminhabilidade no Brasil e no mundo

E já aproveito para comentar, rapidamente, sobre o lançamento deste livro de Clarisse Cunha Linke, diretora do ITDP – Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, e Victor Andrade, do LABMOB.

Ele traz análises e depoimentos de 37 especialistas como Jan Gehl, referência mundial nos temas referentes ao design urbano e aos espaços públicos, e Janette Sadik-Khan, ex-secretária de transportes de Nova York, que implementou mudanças significativas na infraestrutura para a circulação de bicicletas na cidade.

Leitura imprescindível, esteja você onde estiver. Em breve, à venda em livrarias e também no site da editora Babilonia Cultura Editorial.

Foto: Pixabay (destaque) e Divulgação (livro)

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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