No acampamento das escolas da floresta

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O dia começa muito cedo para os educadores das Escolas da Floresta. Uma hora antes de as crianças chegarem, aproximadamente, eles já estão no local. O acampamentoespaço onde ficam durante o dia – é preparado bem cedinho para recebê-las. Nas escolas que visitei no Reino Unido, em janeiro deste ano, as atividades são realizadas em locais públicos, portanto, a primeira tarefa dos adultos é averiguar se o lugar escolhido está em condições perfeitas para receber as crianças, detectando possíveis riscos como cacos de vidro, lixo ou algum galho com eminência de queda, entre outros.

Depois do local avaliado, os educadores buscam na base (onde são armazenados seus materiais) o que utilizarão ao longo daquele dia. Alguns desses materiais são fixos, por conta das atividades e necessidades do espaço: tenda para banheiro seco, água para lavar as mãos, kit de primeiros socorros. São sempre itens indispensáveis para todos da escola.

Claro que, neste trabalho, a floresta oferece muitas possibilidades para as atividades, mas os educadores também levam materiais para as crianças brincarem. Fazem parte desse acervo objetos de cozinha (colher de pau, panelas, bules, forminhas de muffins – tudo de verdade), balanços, redes, livros infantis (sempre com temas relacionados à natureza), composições de elementos da natureza, pinceis, pranchetas, papeis e giz.

Mas tudo é oferecido às crianças de forma bastante sutil, não de uma vez. Todos os dias os educadores selecionam o que vai para o acampamento e assim é com esses materiais também. Lá, elas organizam cada um em um espaço estratégico para que as crianças possam vê-los e pegá-los para brincar, se quiserem.

O fato de estarem à disposição, não significa que serão utilizados. E não há qualquer indução dos adultos para que isso aconteça. Às vezes, no fim do dia, é possível observar que todos estão intocados. Afinal, há tanto o que explorar na floresta que não há necessidade de lançar mão de objetos prontos!

árvores que podem ser escaladas, abrigos naturais para se esconder, árvores caídas com raízes cheias de argila para ser moldada, pequenos rios para atravessar, pegar água e o que as crianças virem pela frente e quiserem usar e criar.

E, assim, mesmo com a organização e a estrutura oferecida pelos adultos, é a simplicidade da natureza que está sempre em evidência.

Foto: Ana Carol Thomé

Ana Carol Thomé

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

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