Ninhos artificiais são usados para tentar salvar da extinção a fragata-de-trindade

Ninhos artificiais ajudam a salvar da extinção a fragata-de-trindade

As fragatas são aves marinhas de grande porte, com asas compridas. Em geral, têm cerca de 1 metro de comprimento, mais de dois de envergadura e uma cauda longa. Elas não conseguem andar na terra, nem nadar, mas são extremamente rápidas em seus voos. Costumam “roubar” seus alimentos de outras aves.

Entre as muitas espécies de fragatas, da família Fregatidae, uma delas existe apenas no Brasil e em nenhum outro lugar do mundo. É o que se chama de endêmica. A Fregata trinitatis, popularmente chamada de fragata-de-trindade é nativa das ilhas da Cadeia Vitória-Trindade, localizadas a 1.300 km do Espírito Santo, no meio do Oceano Atlântico.

Infelizmente, estimativas revelam que restam somente cerca de 30 dessas aves ainda vivas. Especialistas apontam que a devastação da vegetação das ilhas, ao longo dos últimos séculos, foi a principal responsável pelo desaparecimento da fragata-de-trindade. Acontece que a ave faz seus ninhos em árvores, que começaram a se tornar cada vez mais raras. Ou foram queimadas, ou destruídas por espécies invasoras introduzidas ali, como ratos, cobras e porcos.

Sem as árvores, seu local de reprodução, as fragatas-de-trindade correm o sério risco de serem extintas.

A fragata-de-trindade é endêmica do Brasil

Todavia, um projeto experimental e inovador pretende estimular as aves a colocarem seus ovos novamente. Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desenvolveram ninhos artificiais que serão implantados na Ilha da Trindade. Eles simulam o ninho e a árvore real, com réplicas das espécies emitindo os sons que as aves fazem durante o acasalamento, para impulsionar a reprodução.

“Essa pode ser a última chance dessas espécies. Por isso, nós precisávamos de uma estratégia rápida e acabamos optando pelos ninhos artificiais. É a primeira vez que esse projeto está sendo testado no país, então, ainda não sabemos qual será a taxa de eficiência. Iremos adaptar de acordo com o comportamento das aves”, explica Patricia Serafini, analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres.

Réplica do ninho e da ave marinha

Ela acredita que outras aves, que habitam a ilha, como a fragata-grande, a noivinha, a petrel-de-trindade e o atobá-de-pé-vermelho também serão beneficiadas pelo projeto.

Nessa primeira fase do projeto, dez ninhos artificiais serão instalados. Caso seja boa a adaptação das aves a eles, mais serão colocados em uma segunda etapa.

Em novembro do ano passado, foi lançado ainda o Programa RETER-Trindade, que tem como objetivo restaurar as condições naturais da Ilha de Trindade. A meta é recuperar o solo e com isso, fazer a contenção da erosão, o que beneficiará diretamente as colônias de aves marinhas.

*O projeto realizado pelo ICMBio e a Universidade do Espírito Santo tem o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Fotos: domínio público/pixabay (abertura – imagem conceitual) e demais divulgação/Patricia Serafini

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Ninhos artificiais são usados para tentar salvar da extinção a fragata-de-trindade

  • 28 de janeiro de 2019 em 2:36 PM
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    Toda maternidade deve ser protegida e amparada, não importa a espécie. À exemplo dos bercinhos rendados que esperam pessoinhas sagradas, ninhos que esperam outras espécies, sagradas também, devem ser considerados o espaço bendito de reprodução, desvelo, devotamento e amor, tanto quanto o são, os “ninhos” humanos. Mais do que razão, é preciso coração para projetos dessa natureza porque inteligências artificiais jamais serão capazes de voar tão alto com asas de verdade.

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