“Nestlé, pare de ameaçar a vida marinha com embalagens plásticas descartáveis!”, pede campanha do Greenpeace

“Nestlé, pare de ameaçar a vida marinha com embalagens plásticas descartáveis!”, pede campanha do Greenpeace

Em um levantamento realizado em parceria com o Greenpeace International, no final do ano passado, a organização internacional Break Free From Plastic fez um ranking das empresas consideradas as maiores poluidoras de lixo plástico dos oceanos. Coca-Cola, PepsiCo e Nestlé apareciam no topo da lista. Sozinha, a Nestlé usa 1,7 milhão de toneladas de plástico anualmente. E nos últimos cinco anos, esse volume cresceu 5%.

Para pressionar essas multinacionais a mudar e buscar soluções alternativas ao plástico de um uso único, aquele utilizado apenas uma vez e logo em seguida, descartado, o Greenpeace lançou uma petição internacional, em que urge que não apenas Nestlé, mas também Unilever, Coca-Cola, PepsiCo., Colgate, Danone, Johnson & Johnson e Mars a pararem de ameaçar a vida marinha.

Até este momento, o abaixo-assinado digital já teve mais de 560 mil assinaturas.

Recentemente, o navio Rainbow Warrior, do Greenpeace, fez uma expedição ao Oceano Pacífico, próximo às Filipinas, mais precisamente nas Ilhas Verdes, área considerada até então, uma das mais intocadas do mundo.

Infelizmente, em mergulhos, a equipe da ONG se deparou com uma quantidade absurda de lixo: embalagens de produtos como salgadinhos, pasta de dente, sucos e cremes de beleza.

Uma das ações da campanha “Pare esse monstro plástico” foi o protesto, em frente à sede da Nestlé, na cidade portuária de Roterdã, na Holanda. Os manifestantes da ONG levaram um dragão gigante feito com resíduos plásticos coletados no mar.

“Vocês criaram o monstro, agora é hora de serem responsáveis por ele”, diz o Greenpeace. De acordo com a organização, 98% dos produtos comercializados pela Nestlé são vendidos em embalagens de uso único.

O dragão feito com lixo plástico

Em janeiro, a multinacional suíça anunciou que, até 2025, todas suas embalagens serão recicláveis ou reutilizáveis. Apesar disso, a empresa admitiu que apenas a reciclagem não é suficiente para combater o problema. Em dezembro de 2018, a companhia divulgou que havia criado um instituto para o desenvolvimento de novas soluções para embalagens.

“Sem combater a produção de plástico na sua origem, todos os esforços de limpeza e de reciclagem serão em vão ”, alerta Rob Buurman, diretor da
European NGO Recycling Network,. “É um pequeno passo da indústria finalmente reconhecer o enorme problema provocado pelo plástico. Mas é triste que eles ainda se apeguem à medidas simbólicas e no final do processo”.

Buurman se refere à aliança internacional criada no começo do ano, para combater o problema do lixo plástico. As empresas envolvidas na Alliance to End Plastic Waste se comprometeram a investir US$ 1 bilhão nos próximos cinco para promover soluções, com escala global, para o uso do plástico reciclado dentro da chamada economia circular (leia mais aqui).

Leia também:
Plásticos descartáveis estarão banidos na União Europeia a partir de 2021
Nas Filipinas, baleia é encontrada morta com 40 kg de plástico no estômago
Lixo plástico ameaça 99% das aves marinhas

Fotos: divulgação Greenpeace

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta