Nestlé, Hershey’s e Mars acusadas de usar óleo de palma de florestas desmatadas, denuncia ONG internacional

Nestlé, Hershey e Mars acusadas de usar óleo de palma de florestas desmatadas, denuncia ONG internacional

Três das maiores fabricantes mundiais de chocolate foram denunciadas esta semana pela Rainforest Action Network (RAN) por continuar comprando óleo de palma de áreas de desmatamento em Leuser, na Indonésia, onde vivem orangotangos, leopardos, tigres e rinocerontes ameaçados de extinção.

As multinacionais tinham assumido compromisso público de ‘limpar’ suas redes de fornecedores e comprar óleo de palma somente de empresas que não estivessem ligadas ao desmatamento ilegal no país asiático.

O óleo de palma, chamado no Brasil de óleo de dendê, é extraído do fruto de uma palmeira originária da África. A substância é utilizada na fabricação de uma série de produtos que usamos diariamente, como sabonetes, xampus, cremes, sorvetes, barras de chocolate, biscoitos, margarina, entre muitos outros. Para poder atender a crescente demanda da indústria mundial, milhares de árvores têm sido derrubadas e queimadas ilegalmente para dar lugar a plantações de palma.

No chamado Ecossistema de Leuser, que engloba uma área de 2,6 milhões de hectares, está a maior floresta tropical da Sumatra. Declarado como Patrimônio Natural pela Unesco, nele estão localizadas duas cordilheiras de montanhas, três lagos, nove sistemas de rios e três parques nacionais. O local é habitat de 200 espécies de mamíferos, dezenas delas endêmicas dali, ou seja, não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta.

Dos 6 mil orangotangos restantes na Sumatra, 90% estão em Leuser. Só elefantes, que usam Leuser como um corredor migratório, estima-se que 35 foram mortos entre 2012 e 1015. O desmatamento não só fragmenta o habitat destes animais, como os torna alvos mais fáceis para caçadores. A degradação da floresta aumenta ainda a ocorrência de incêndios.

Em 2010, a suíça Nestlé, mais famosa fabricante de chocolates do mundo, afirmou que até 2015 conseguiria eliminar qualquer fornecedor de sua cadeia que utilizasse óleo de palma vindo de desmatamentos ilegais. De acordo com a  Rainforest Action Network, a promessa não foi cumprida. Em resposta ao jornal The Guardian, a multinacional declarou que “agora consegue rastrear a origem de 90% do óleo de palma das usinas e quase 2/3 das plantações”.

Já a americana Hershey’s afirmou que até 2016 conseguiria saber exatamente a origem do óleo de palma comprado. Recentemente, a companhia extendeu o prazo para 2020. Enquanto isso, só 40% do óleo utilizado pela Mars tem origem conhecida, apesar da marca dizer “que está ciente da situação em Leuser e já estar tomando outras medidas para melhorar o rastreamento”.  

A RAN utiliza imagens de satélite, fotografias e coordenadas geográficas para monitorar as áreas de desmatamento na Sumatra.

Em julho deste ano, já haviamos noticiado neste outro post, que PepsiCo, Unilever, Procter & Gamble e McDonald’s também foram acusados de conivência com desmatamento pelo mesmo motivo: a compra de óleo de palma originário de florestas destruídas na Sumatra.

Previsões apontam que a demanda mundial por este óleo deva dobrar até 2020. Malásia e Indonésia são os maiores produtores. Globalmente, as plantações cobrem uma área de 11 milhões de hectares. No Brasil, elas ocupam cerca de 40 mil hectares e grande parte da produção está localizada na região amazônica.

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Foto: Michał Grosicki on Unsplash

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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