Nem só de beleza vivem as caliandras

No universo das plantas ornamentais, as caliandras fazem a alegria dos paisagistas: rústicas e resistentes, elas crescem rápido e podem ser facilmente moldadas por meio de podas, transformando-se em densas cercas vivas de um a dois metros de altura ou em arbustos isolados de diferentes formatos, sempre floridos, em tons variados de branco, rosa ou vermelho. E também frequentam feiras e lojas de flores secas, entrando na composição de arranjos decorativos.

No Brasil, dezenas de espécies do gênero Calliandra crescem nos cerrados do Planalto Central ao Sudeste, nos campos do Sul e na Caatinga nordestina. E outras tantas são originárias dos países vizinhos, em toda a faixa tropical da América do Sul, somando mais de 200 espécies conhecidas e numerosas variedades criadas comercialmente por meio de cruzamentos e enxertos.

Em geral, seus nomes comuns fazem referência às inflorescências, que reúnem de 15 a 25 flores, com longos estames abertos em forma de pluma ou pompom: esponjinha, cabelo-de-anjo, espinho-vermelho, topete-de-cardeal, ciganinha, flor-do-cerrado. Mas pelo menos uma denominação popular expressa a dureza da madeira, utilizada como lenha, em peças de móveis torneadas e cabos para ferramentas curtas: quebra-foice.

Embora a beleza das caliandras encha os olhos de quem a cultiva, são suas qualidades menos evidentes que atraem os jardineiros e os agrônomos: em suas raízes proliferam bactérias fixadoras de nitrogênio, tornando o importante nutriente disponível para diversos microrganismos promotores da fertilidade viva do solo e para outras plantas. A propagação pode ser feita por sementes ou estacas, facilitando a restauração de áreas degradadas, mesmo se são terras sazonalmente inundadas ou se o terreno é raso, limitado por rochas.

Besouros, borboletas e beija-flores visitam as inflorescências das caliandras durante o dia e morcegos, à noite. Os frutos são em forma de estreitas favas (legumes), de casca aveludada, com sementes pequenas. Em algumas localidades, as favas são usadas na fabricação de um corante natural, castanho claro, para tingir tecidos de algodão. E das cascas se fazem florais, indicados no combate à tensão e ao estresse.

Quem preferir dar um basta à correria diária de outra forma, ainda tem a opção de cultivar preciosos bonsais. Espécies como Calliandra selloi ou C. brevipes são indicadas. Basta ter a ciência e a paciência de fazer as podas e os transplantes certos e em 4 ou 5 anos é possível dar forma a miniaturas belíssimas, cobertas de delicados pompons.

Foto: Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Deixe uma resposta