Navio carregado com 300 mil toneladas de minério de ferro encalha na costa do Maranhão e provoca vazamentos

Até agora não se sabe ao certo a origem do vazamento de óleo que atingiu centenas de praias do Nordeste e do Sudeste no ano passado, o maior desastre ambiental do litoral do país. Começou na Paraíba (identificado em 30 de agosto), passando por Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, chegando ao Espirito Santo e Rio de Janeiro, totalizando mais de mil pontos, até agora. Na época das investigações, pesquisadores da Universidade de São Paulo apontaram para um navio que estava a cerca de 400 km da costa, que teria afundado ou sofrido um acidente ou, ainda, despejado intencionalmente óleo bruto no mar.

Na terça, 25/2, por volta das 21h30, foram divulgadas as primeiras informações de um outro vazamento na costa do Maranhão, pela Capitania dos Portos. Só que, desta vez, sabe-se a origem: o navio MV Stella Banner, operado pela empresa sul-coreana Polaris, com 300 mil toneladas de minério de ferro da Vale, que começou a afundar por causa de fissuras em seu casco. Em comunicado, a Vale informou que a embarcação sofreu uma ‘avaria na proa’ .

Até agora, não se sabe o tipo de produto que está vazando, nem a quantidade, mas a Marinha confirmou que foram identificados dois vazamentos.

A embarcação foi abastecida no Terminal Portuário da Ponta da Madeira, em São Luís, e saiu rumo a Qingdao, na China. A 100 quilômetros da partida, o navio encalhou devido a uma manobra do comandante e começou a adernar. Mas há uma outra versão para o acidente: ao identificar que a embarcação adernava, devido a fissuras no casco, ele emitiu um alerta de emergência via satélite; levando a embarcação para um banco de areia. 

Ontem, 26/2, em nota à imprensa, a Marinha anunciou a instauração de inquérito administrativo para apurar causas, circunstâncias e responsabilidades, e afirmou que, até então, o minério de ferro não havia vazado no oceano. “Foi realizada, na manhã de hoje, uma reunião com o Agente Marítimo, representante da Vale, a Autoridade Portuária e dois membros da empresa Ardent Global, a qual contratada pelo Armador para apresentar, tão logo possível, o Plano de Salvatagem desta embarcação. Um rebocador com material para conter possíveis danos ambientais foi enviado pela Vale ao local a fim de prevenir futuras possibilidades de vazamento”.

Equipes da Capitania dos Portos e da Vale estão no local desde que foram notificadas do acidente. Assim que chegaram, encaminharam cerca de 20 tripulantes para quatro rebocadores instalados nas proximidades do navio.

Vamos aguardar para saber a dimensão de mais este acidente que pode se configurar em mais um desastre ambiental na costa litoral nordestina.

Fotos: Divulgação/Marinha

Fontes: G1, Fórum, Estadão

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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