Natureza registrada à mão

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Em todo encontro que promovemos com o programa Ser Criança é Natural, temos uma grande preocupação para que as famílias possam estar presentes e inteiras nesse momento. Por isso, fazemos uma recomendação muito importante: que não se preocupem em fotografar, mas sim, viver o momento, observar as crianças e a natureza.

Essa recomendação é feita porque observamos a rotina de diversas famílias e percebemos o quanto o registro fotográfico acontece de forma exagerada, muitas vezes tomando o lugar do contato físico, de uma conversa e de um olhar carinhoso. As telas de smartphones – e as câmeras, em alguns casos – estão tomando conta do nosso cotidiano de tal forma que registrar tudo e qualquer momento ganhou status de normalidade e um caráter automático, muitas vezes.

O não registro é um grande desafio. Como o é também repensar as maneiras de guardar estes momentos.

No nosso último encontro, que aconteceu no Slowkidsevento realizado em novembro, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo – uma garota me chamou a atenção. Desde o início do percurso, ela carregava em suas mãos um bloquinho de anotações e um giz de cera preto. Percebi que, ao longo do caminho, ela observava cada detalhe e desenhava. Fazia perguntas, e mais um desenho.

Ao final do passeio, pedi para ver suas anotações. Fiquei boquiaberta com as preciosidades que haviam sido guardadas pela menina de apenas 8 anos.

Os desenhos – que ilustram este post – mostram o que encontramos pelo caminho: uma borboleta, um “esqueleto” de aranha, frutinhas laranjas, uma joaninha… como, também a forma como vemos as árvores se encontrando quando olhamos de baixo para cima. Mas os desenhos revelam mais: um olhar potente e sensível de uma criança pesquisadora do mundo.

Desenhar exige uma atenção diferente do clique de uma câmera. É preciso prestar atenção às formas, aos detalhes, a fim de reproduzi-los da melhor maneira. É fazer um registro que, independente do talento que se tem, possa trazer à tona as boas memórias e as informações que se quis guardar.

Na foto abaixo, por exemplo, a menina mostra detalhes dos formatos das plantas encontradas pelo caminho e também como uma teia de aranha se sustenta em várias plantas próximas. Muito precioso.

Cada desenho se faz único para quem o realizou e traz sensações e sentimentos de um jeito muito especial: em traços.

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Fotos: Ana Carol Thomé

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

Ana Carol Thomé

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

2 comentários em “Natureza registrada à mão

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  • 4 de janeiro de 2016 em 6:02 PM
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    Ai Ana.. como foi bom ter essa confirmação de uma pessoa como você que estuda sobre isso e fala com propriedade, pois a um tempo atrás eu tive essa sacada que as pessoas se preocupavam tanto em registrar os momentos com os filhos e isso atrapalhava a registro afetivo do momento… eu nunca tive muita intimidade com tecnologia mesmo, gostoso é guardar certos momentos no coração, o que se grava no coração jamais se perde e nos constrói seres mais sensíveis, que lindo seu texto e essa garotinha fofa.

    Um abraço!

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