Iniciativa protege 511 nascentes da Bacia do Rio Doce

Projeto protege 511 nascentes da bacia do Rio Doce

Neste Dia Mundial da Água, não poderíamos deixar de falar sobre ela: a maior tragédia ambiental brasileira, que envolve a água. Em novembro de 2015, a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, rompeu-se. Um mar de lama e rejeitos tóxicos soterrou a cidade de Mariana (MG), e contaminou o Rio Doce. Hoje, quase um ano e meio depois, apresentamos uma notícia que traz um pouco de consolo às “Lágrimas do Rio Doce” (saiba mais aqui): 511 nascentes de afluentes da Bacia Hidrográfica do Rio Doce foram protegidas na primeira fase de um projeto de recuperação.

Noticiamos aqui no Conexão Planeta que um dos maiores fotógrafos da atualidade, o mineiro Sebastião Salgado, e sua esposa Lélia, por meio do Instituto Terra, lançaram um projeto de recuperação da Bacia do Rio Doce. Essa iniciativa, a princípio, já resultou em 251 nascentes protegidas em Minas e 260 no Espírito Santo. Os primeiros resultados desse trabalho poderão ser percebidos entre seis meses e dois anos, dependendo da região e do nível de chuva.

Mas a ação só foi possível graças à adesão voluntária de 217 produtores rurais, que cercaram nascentes em suas propriedades. “Alguns cuidam das nascentes, outros não. É sempre importante esse trabalho (de conscientização sobre a importância das nascentes). No final das contas, vai contribuir para a recuperação do Rio Doce”, conta o produtor rural Antônio Fantini, de 46 anos, que mantém uma propriedade de 10 hectares em Itambacuri (MG).

Projeto protege 511 nascentes da bacia do Rio Doce

A grande meta do trabalho é a recuperação de cinco mil nascentes em dez anos. Este projeto é realizado em parceria com a Fundação Renova, lançada em agosto de 2016 pela Samarco para implementar programas previstos pelo Termo de Transação e Ajustamento de Conduta por conta do desastre de Mariana.

Recuperação de nascentes do Rio Doce

Os produtores rurais receberam orientação técnica e todo o material para cercar as áreas de nascentes, como estacas, arames e grampos, além de um apoio financeiro para realizar o trabalho. O objetivo do cercamento é evitar o pisoteio do gado nas áreas de nascente e a degradação vegetal, favorecendo a regeneração florestal. Com isso, o solo fica em condições favoráveis para reter a água da chuva, garantindo o recurso de qualidade para as atividades domésticas das propriedades e agrorurais, como irrigação, pasto e criação de pescados.

O trabalho nestas 511 nascentes beneficiou as bacias dos rios Pancas, envolvendo os municípios de Pancas, Governador Lindenberg, Marilândia e Colatina; e Santa Maria do Doce, em Colatina, no ES. Em MG, as ações foram na bacia do Rio Suaçuí Grande, nos municípios Itambacuri, Frei Inocêncio, Jampruca e Campanário.

Quem indica em quais bacias a Fundação deve atuar é o Comitê de Bacias Hidrográfica do Rio Doce (CBH Doce), mas lideranças das comunidades locais e outros comitês de bacias também participam da escolha das áreas prioritárias de atuação.

A próxima etapa do programa realizada até setembro deste ano, e prevê a implantação de fossas sépticas nas propriedades, para evitar o despejo de esgoto no lençol freático. Além disso, contempla a instalação caixas secas e barraginhas, evitando o carreamento do solo e garantindo a captação da água da chuva para reaproveitamento.

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

Marina Maciel

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

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