Nascem primeiros filhotes de lêmures-preto-e-branco em cativeiro no Brasil


Nascem primeiros filhotes de lêmures em cativeiro no Brasil

A equipe do Zooparque de Itatiba, no interior de São Paulo, está em festa. No último dia 27 de agosto, nasceram dois filhotinhos de lêmur-preto-e-branco (Varecia variegata).É a primeira reprodução natural desta espécie de primata em ambiente sob cuidados humanos (cativeiro) no país.

Nativo das florestas de Madagascar, na África, o lêmur-preto-e branco é considerado criticamente ameaçado de extinção pela Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de centenas de animais e plantas no planeta.

Por isso é tão importante quando fêmeas dão à luz em refúgios biológicos ou zoológicos, especializados em trabalhos de conservação e reprodução, como é o caso do zoo de Itatitba. Com esses esforços, é possível, no futuro, a tentativa de reintrodução de espécies ameaçadas de volta à vida selvagem.

No local, vivem atualmente quatro lêmures preto-e-branco adultos, sendo dois machos e duas fêmeas, originários de um zoológico da Áustria. É muito comum a parceria e a troca de espécies entre este tipo de instituições.

Os veterinários do zoo paulista explicam que “seguem o protocolo de intervir minimamente no processo reprodutivo dos animais sob seus cuidados”

A gestação da fêmea foi acompanhada de perto pelos profissionais, assim que o tratador observou o comportamento reprodutivo de um dos casais. Os profissionais ainda não sabem o sexo dos filhotes, pois a mãe é a única que está cuidando dos lemurezinhos.

A mãe ao lado dos filhotinhos

Em agosto deste ano, também noticiamos aqui no Conexão Planeta, a reprodução no mesmo Zooparque de Itatiba de uma ave rara e ameaçada de extinção, o pato-mergulhão, pela primeira vez, no Brasil, e no mundo. 

Encontrado na Argentina, Paraguai e Brasil, o pato-mergulhão é uma espécie de ave aquática que, assim como o lemur-preto-e-branco, é considerada criticamente em perigo de extinção.

No mundo todo estima-se que só restem 250 indivíduos livres na natureza. No Brasil, o pato-mergulhão pode ser observado nas regiões da Serra da Canastra e Patrocínio (MG), Chapada dos Veadeiros (GO) e no Jalapão (TO).

O refúgio de São Paulo é o único no mundo que cria as aves – são 21 indivíduos adultos -, e tem um programa de conservação da espécie, parte do projeto PAN Pato-Mergulhão, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e com parceria e outras entidades, como a Associação Natureza do Futuro.

O maior polinizador do planeta 

Diferente de outras espécies de lêmur, a preto-e-branco deixa seus filhotes em ninhos no alto das árvores, em vez de carregá-los na barriga ou nas costas. A gestação dura, em média, pouco mais de três meses. Este é o único primata, com hábitos diurnos, do mundo, que mantem seus filhotes em ninhos.

A pelagem mais grossa serve para protegê-los da umidade e também do frio das matas tropicais de Madagascar.

Chegando a pesar até 4 kg, eles são os maiores tipos de lêmures. E cumprem um papel importantíssimo nas florestas: são excelentes polinizadores. Na verdade, são considerados os maiores polinizadores do planeta. A medida que se alimentam, basicamente de frutas e néctar, o pólen gruda em seu pelo e boca e vai sendo transportado de árvore para árvore. Além disso, as sementes de suas fezes servem para o nascimento de novas plantas.

*Com informações do Lemur Duke Center

Fotos: divulgação Zooparque Itatiba

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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