Nasce primeiro filhote de bugio na Floresta da Tijuca, após reintrodução da espécie

Nasce primeiro filhote de bugio na Floresta Nacional da Tijuca, após reintrodução da espécie

Pouco menos de dois anos após os primeiros bugios terem sido soltos na Floresta Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, o Projeto Refauna colhe o primeiro e bastante celebrado resultado: nasceu a primeiro filhote de uma das fêmeas do grupo.

A mãe, Kala, é um dos seis bugios reintroduzidos na floresta a partir de 2015, como mostramos aqui, neste outro post. Desde 2016, ela passou a ser vista no interior do parque com Juvenal, outro macaco do bando.

O filhote de bugio ruivo (Alouatta guariba clamitans) nasceu em agosto e desde então, está sendo monitorado de perto pelos alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, parceira do projeto.

“O nascimento do filhote indica a formação de um casal na natureza e que os animais estão conseguindo sobreviver em boas condições, o primeiro passo para se estabelecer uma população”, disse o chefe da unidade de conservação, Ernesto Viveiros de Castro.

Considerada a maior floresta urbana do mundo, a Floresta da Tijuca se estende por uma área de quase 40 km2. É um importante fragmento da Mata Atlântica, todavia, era tida por especialistas como uma floresta vazia. O termo é utilizado por biólogos para se referir à florestas onde não existem mais animais de médio e grande porte.

Devido à fragmentação da mata, caça predatória ou desmatamento, os bichos desapareceram. E sem os animais, que possuem papel fundamental para a dispersão de sementes na natureza, a floresta não funciona direito.

Os macacos estavam extintos da Floresta Nacional da Tijuca há mais de 100 anos. Em 2015, foram reintroduzidos os quatro primeiros bugios. Entre 2010 e 2014, um grupo de 20 cutias já tinha solto no parque pelos pesquisadores.

bugio na floresta da tijuca

Bugios soltos na Floresta da Tijuca

Os bugios foram monitorados ao longo de todos estes últimos meses. As fêmeas receberam colares e os machos tornozeleiras. Dos seis animais soltos até hoje, quatro se adaptaram bem, mas infelizmente, dois precisaram ser recolhidos. “Eles tinham constantes interações com os visitantes no parque, que os alimentavam”, explica Viveiros de Castro.

A meta inicial do projeto Refauna era reintroduzir um animal a cada ano para que a população de bugios se tornasse autossustentável, dependendo somente da própria reprodução e não mais de novas ações externas.

Em decorrência do surto de febre amarela, que aconteceu no começo do ano em diversos estados brasileiros, e contagiou e matou macacos (alguns mortos pela ignorância de pessoas com medo), a soltura de novos indivíduos foi retardada.

 O importante papel dos bugios

O Alouatta guariba é um mamífero de porte grande, que pode pesar entre 8 e 9 kg. É o segundo maior primata da Mata Atlântica. Vive no topo de árvores mais altas.

Os machos têm pelos marrom avermelhados, com tons de dourado, enquanto as fêmeas possuem tom mais escuro, quase preto. Seus ruídos são altíssimos e servem, entre outras coisas, para espantar o inimigo. O período de gestação dos filhotes é de aproximadamente 140 dias. Após o nascimento, o filhote fica agarrado às costas da mãe durante os primeiros meses de vida.

Floresta volta finalmente a ter vida

Vegetarianos, os macacos desta espécie alimentam-se de frutos, folhas, brotos e sementes. Suas fezes são importantíssimas para a fertilização do solo da floresta. Elas são usadas por besouros – conhecidos como rola-bostas – , que fazem pequenas bolas com elas, levando nutrientes para a terra.

Fotos: divulgação ICMBio (abertura) e Luísa Genes/Fundação Grupo Boticário

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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