Nasa divulga imagens de focos de incêndio “fora de hora” no Pantanal

Se estivéssemos em julho ou agosto – meses secos e típicos de focos de incêndio e queimadas -, as imagens divulgadas esta semana pelo site Earth Observatory, da NASA, não chamariam tanto a atenção. Mas elas foram capturadas há poucos dias, em 4 e 8 de março, no último mês do verão, época em que a umidade na mata deveria ser intensa devido às chuvas frequentes, comuns neste período, e o Pantanal já deveria estar alagado.

Num cenário considerado normal, incêndios provocados por raios ou por fazendeiros neste mês não encontrariam clima para se expandir, mas as chuvas de janeiro, fevereiro e março deixaram a desejar em muitas áreas do Mato Grosso do Sul.

E, em janeiro – apenas dois meses após a explosão dos incêndios na região e durante (o que deveria ser) a estação das chuvas -, os incêndios voltaram e invadiram o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense.

As imagens capturadas pela NASA são um registro incomum da região. Elas mostram densa pluma de fumaça oriunda de um foco de incêndio à leste do parque, próximo de local de incêndio de grandes proporções em janeiro deste ano.

A maior parte dos focos de incêndio registrados este ano se concentra nos municípios de Corumbá (MS) e Poconé (MT), de acordo com um artigo publicado pelo site Mongabay). De acordo com o site da Nasa, o número de focos detectados na região pelo satélite Aqua/ MODIS – entre 1o. de janeiro e 9 de março -, representa apenas 5% do total do registrado no ano passado. Por isso, o cientista sênior do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Alberto Setzer, disse ao site que não vê motivo para preocupação: “Como a maioria dos incêndios no Pantanal ocorre entre julho e dezembro, não vemos nenhuma razão específica para alarme, neste momento”.

A foto abaixo foi feita em 4 de março e revela o incêndio de forma mais detalhada: dá pra ver a área já queimada.

Na imagem seguinte, que revela uma perspectiva mais ampla, é possível ver o fogo queimando ao norte das áreas unidas próximas do Rio São Lourenço.

Fotos: Divulgação/NASA (as imagens foram capturadas pelo satélite Terra, com o sensor MODIS – Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer, operado pela NASA

Fonte: Earth Observatory/Nasa

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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