Nas férias, deixe as crianças livres pra brincar


É tempo de férias! Mas, será que é mesmo? Cada vez menos crianças experimentam o verdadeiro significado desta palavra. Sem que percebam, elas entram numa rotina altamente influenciada pelo mundo adulto. Na verdade, permanecem nele, mesmo nesse período em que o brincar e a convivência com a família e com os amigos poderia ser mais livre. E, assim, as crianças têm hora pra tudo e tempo pra nada. Tudo milimetricamente calculado em espaço e tempo. E, dessa forma, sua percepção da vida e das coisas vai sendo formatada a tal ponto que, quando estão fazendo algo que não integre uma rotina organizada, sentem que … “não tem nada pra fazer!”.

Por isso, elas precisam reaprender o que é não fazer nada. É nesses momentos a ocupar que elas podem se permitir fazer o que querem, o que gostam, o que têm vontade e o que precisam, realmente.

Eu, Ana Carol, quando era pequena, lembro de falar de “não tem nada pra fazer” depois de ter brincado muito e ser chamada pra entrar em casa. Ou então num dia em que eu não podia estar com os amigos do prédio. O que durava pouco tempo, pois logo criava alguma brincadeira.

A percepção mais comum, hoje, é de que não ter nada pra fazer está ligado a não ter nada na agenda, nada programado por um adulto. Sem aula de música, sem aula de futebol, aula de artes, aula de dança, aula de canto, sem aula aula aula…mesmo nas férias!

Mas, será que pra crescer bem precisamos sempre estar “em aula”?

Nossa cultura tem passado a impressão de que as crianças só podem aprender algo se forem ensinadas por alguém, desvalorizando o fato de que aprender é inato, ninguém ensina as crianças a aprender. Isso faz parte da natureza humana. Por isso, há um enorme aprendizado todos os dias à disposição, oferecido pelas experiências e consequentes percepções.

Quantas histórias que hoje são contadas por adultos e que são “causos” vividos na infância, marcantes até hoje?

Para ter boas histórias para contar quando for adulto é preciso ter tempo para brincar livre, hoje. E brincar livre é algo que não se ensina. Se aprende brincando. O adulto pode estar junto, próximo, mas a brincadeira está dentro da criança.

Brincar livre é a maneira genuína de ver a própria natureza da criança se manifestando. Suas criações e invenções crescem e ganham vida quando elas têm tempo e espaço para brincar assim. Não ter a influência de adultos, não ouvi-los dizer para onde a brincadeira deve seguir é fundamental para que a criança se desenvolva bem e de forma saudável.

Criança precisa ser criança. E se a criança é a natureza humanizada, a brincadeira é onde isso acontece.

Em vez de encher a agenda de férias com inúmeras atividades para as crianças, pense em preencher esse precioso período com tempo e espaço para o brincar livre.

A propósito, sabe o que os meninos da foto estão fazendo? Pescando.

Foto: Renata Stort

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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