Não existe tempo ruim, existe roupa certa

O verão – oficialmente falando – está cada vez mais próximo e, junto com ele, vêm as chuvas. Aqui, no Sudeste, é bastante comum chover no fim da tarde. Em outras regiões do Brasil, a chuva também marca tempos e a rotina das pessoas “Antes ou depois da chuva?”.

E tomar banho de chuva é uma experiência intensa e divertida.

Ana Carol, uma das autoras deste blog, lembra que, quando era pequena, ia à casa da avó e, se chovia gelo, as crianças saíam com pratos no quintal para coletá-lo. Voltavam com os pratos lotados e chupavam gelo enquanto ouviam a chuva.

Uma das experiências da infância que ficaram mais fortes na memória da Rita – parceira da Carol no programa Ser Criança é Natural e aqui no blog – foram os banhos de chuva. Naquela época, sua família morava em uma rua de terra numa cidade de interior. Quando chovia, formava-se uma forte enxurrada nas laterais das ruas e era ali que ela gostava de ficar, se misturando com a água e o barro, se divertindo muito.

Como havia poucos carros, nenhum adulto ficava em cima, tomando conta, e as crianças brincavam soltas na rua. Elas tinham muito mais liberdade que as de hoje, sem dúvida.

Ver e brincar com a água que vem diretamente do céu, observar as gotas caindo, sentir as gotas tocando o corpo, perceber a transformação do espaço: cores, temperatura, cheiros, sons. Quantas possibilidades a chuva nos traz!

E claro, para que a brincadeira aconteça, temos que tomar alguns cuidados.

Como sempre falamos, aqui, não existe tempo ruim, existe roupa certa.

Quando a gente sai de casa pensando que vai chover, leva guarda-chuva na bolsa, não é mesmo? Mas também costumamos recomendar outro acessório: capa de chuva! Seja para crianças ou adultos, vestir capa de chuva permite caminhar, correr, brincar na chuva.

Vestir uma roupa impermeável = de preferência com capuz – garante uma liberdade de movimentos que o guarda-chuva nos tira. Para usar guarda-chuva a gente tem que manter os braços na mesma posição, redobrar atenção para a nossa consciência corporal para não esbarrarmos em nada, nem em ninguém.

Se você tiver uma galocha ou sapato impermeável, então! Taí uma ótima oportunidade de experimentar caminhar na ou após a chuva sem se preocupar em ficar com os pés encharcados, ou ainda, brincar pulando nas poças d’água que encontra no percurso.

Claro, podemos tomar banho de chuva por acaso, e nos molharmos todos! Essa experiência precisa ser vivida. Neste caso, precisamos nos atentar com o pós-brincadeira. Estar com o corpo molhado é uma forma rápida de perdemos calor. Esfriando o corpo, a possibilidade de ficarmos resfriados aumenta.

Então, melhor é brincar com a chuva e aproveitar o momento, depois rapidamente tirar a roupa molhada e se esquentar – e nossa dica para essa experiência ser linda é tomar um banho quentinho, seguido de chá.

No Brasil, ainda há um outro detalhe: aqui, há grande incidência de raios e tempestades no verão. A chuva vem forte, com bastante eletricidade, ventania, e barulho. O jeito é ficar atento porque, se for cercada desse aparato todo, esta não é uma boa oportunidade para a brincadeira. Brincadeira boa é aquela que podemos aproveitar sem preocupação com acidentes e perigos.

Acreditamos que é possível brincar com a natureza faça sol ou faça chuva, então, aproveite as possibilidades que o mundo te dá, sempre.

Foto: Daiga Ellaby/Unsplash

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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