Mulheres Rodadas: o eco da voz feminina no Carnaval de rua do Rio de Janeiro

Mulheres Rodadas

*Atualizado em 09/02/2018

“Mulher rodada é aquela que já viveu bastante, teve muitas experiências (sexuais ou não), está em busca da felicidade e da alegria. É uma mulher que não tem medo, não está preocupada com a opinião dos outros e quer ser livre. Ela sabe que pode fazer o que quiser com seu corpo”.

Se você concorda com a resposta acima, da jornalista carioca Renata Rodrigues, então não vai poder deixar de sambar ao lado do bloco de Carnaval Mulheres Rodadas, no Rio de Janeiro.

Renata é uma das fundadoras do bloco, ao lado da também jornalista e cientista política Débora Thome. O Mulheres Rodadas nasceu a partir de uma postagem “curiosa” (vamos falar a verdade, machista!!!) nas redes sociais. No final de 2014, a página do Facebook Jovens de Direita – Viva a Juventude Conservadora postou uma foto de um rapaz segurando um cartaz que dizia “Não mereço mulher rodada”. Rapidamente, a foto gerou reações de repúdio na internet. “Era óbvio que era ridículo rotular uma mulher pelas escolhas dela”, diz Renata. “Mas os comentários nas redes tinham muita ironia e sarcasmo”.

Numa brincadeira, a jornalista comentou então que deveriam criar um bloco de rua com o nome Mulheres Rodadas. A ideia empolgou muita gente e no carnaval de 2015, o grupo estava no Largo do Machado, ao lado de 3 mil foliões. As fantasias mostravam figuras importantes do universo feminino, como Frida Kahlo e a garota de lenço na cabeça dos tempos da guerra “We can do it”, entre outras, sempre muito, mas muito bem humoradas e irreverentes, com alfinetadas sutis (ou nem tanto) aos homens.

“Foi muito legal! Vimos os militantes na rua. Havia meninas lá que nunca tinham ouvido falar em movimento feminista”, conta Renata.

bloco Mulheres Rodadas

Renata Rodrigues com o estandarte do Mulheres Rodadas 

Outras “mulheres rodadas” se juntaram ao grupo: a designer Flávia Soares, a advogada Patrícia Santos e o músico Rômulo Cardoso. Sim, porque o bloco tem homens, lógico! Ninguém acredita realmente que o movimento feminista odeia o sexo masculino, certo? O que as mulheres querem somente é serem tratadas com respeito, dignidade e terem seus direitos (e liberdade) reconhecidos. E curtirem um Carnaval sem assédio!

Mas o movimento iniciado por Renata e Debora vai além da folia na quarta-feira de cinzas. Durante o ano inteiro, o Mulheres Rodadas promove oficinas de música na cidade. Mulheres, crianças e homens são convidados a aprender a tocar um instrumento musical. Além disso, são organizadas palestras e rodas de conversa sobre o feminismo. “Nosso sonho é ter cada vez mais crianças nas oficinas de música para as levarmos para a rua com o bloco”, diz Renata.

O repertório do grupo para o Carnaval é “música de mulher que fala para a mulher”. Fazem parte dele canções de Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Baby Consuelo, As Frenéticas e Ludmilla. E não pode faltar, obviamente, Geni, de Chico Buarque, que, segundo a jornalista carioca, é um momento de catarse quando o bloco está nas ruas.

“É o grito de muitas mulheres que ecoa no carnaval, pela maneira como somos tratadas e julgadas o tempo todo”, desabafa Renata. “Levamos tudo isso para a rua”.

Feminismo com muito bom humor e irreverência

O Mulheres Rodadas vai sair na quarta-feira de cinzas, 14/02, às 9h da manhã, no Largo do Machado, no centro do Rio.

E se você mora em outra cidade? Ah, não vai perder, né? Pega um avião, ônibus, carro, bicicleta! Porque, com certeza, o Mulheres Rodadas é imperdível! Ou então, organiza aí na sua cidade um bloco feminista igual a este. Que tal?!

O bloco sai sempre na quarta-feira de cinzas, no Largo do Machado

Fotos: divulgação Mulheres Rodadas

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Deixe uma resposta