Mulheres prometem marcha histórica contra Trump nos Estados Unidos

Mulheres prometem marcha histórica contra Trump nos Estados Unidos

Milhares de americanas estão sendo convidadas para participar de uma marcha, em Washington D.C., em 21 de janeiro de 2017, dia seguinte ao da posse do presidente eleito Donald Trump.

A iniciativa, que começou com uma página no Facebook  – Women’s March on Washigton – já tem milhares de adesões e está divulgando também outras passeatas nos demais estados americanos (até agora 16 confirmaram eventos locais).

O comportamento de Trump em relação às mulheres é simplesmente repulsivo, sem mencionar o que falou sobre imigrantes e muçulmanos. Durante sua campanha para eleição, várias mulheres vieram a público acusá-lo de assédio sexual. Além disso, um vídeo constrangedor (e indecente) revelando comentários grosseiros e machistas do candidato foi vinculado nacionalmente.

O objetivo das organizadoras é fazer uma marcha pacífica, mas que demonstre a coragem das mulheres contra o posicionamento (machista) do presidente eleito e seu repúdio a tudo que ele representa.

O convite foi feito a todas as mulheres: heterossexuais, homossexuais, trans e demais gêneros. “Será um evento inclusivo e todos que apoiam os direitos das mulheres serão bem vindos!”, diz a página do Facebook.

Washington D.C. já presenciou diversas marchas históricas, todavia, a mais importante deles aconteceu em 1963. Milhares de manifestantes, vindos das mais diferentes regiões do país, chegaram à capital do Estados Unidos no dia 27 de agosto. A March on Washington for Jobs and Freedom foi um ato promovido pelas organizações que lutavam pelos direitos dos negros. No dia seguinte à chegada das quase 300 mil pessoas, Martin Luther King fez seu belíssimo discurso “I have a dream” (Eu tenho um sonho, em inglês), que virou um marco do ativismo.

A luta pela equidade de gêneros e racial continua

É muito triste pensar que mais de meio século depois do inesquecível discurso de Martin Luther King, ainda hoje, negros e mulheres precisam reivindicar direitos iguais aos dos homens e pessoas brancas.

Na semana passada, houve uma manifestação em Paris, por exemplo, onde as mulheres pararam de trabalhar mais cedo para protestar contra os salários mais altos pagos aos homens. Criado pela organização feminista Les Glorieuses, a intenção era mostrar como a jornada de trabalho delas deveria ser menor que a deles, já que a remuneração paga é desigual. Para ter equiparação salarial, as mulheres deveriam ter 38 dias mais de férias do que seus colegas homens.

Até Anne Hidalgo, a prefeita de Paris (primeira mulher no cargo) participou do ato. Ela se juntou a centenas de outras mulheres na Place de la République, no centro da cidade.

Estima-se que, nos países europeus, as mulheres ganhem 16% menos do que os homens. Já no Brasil, esta diferença chega a até 25%. A questão da disparidade salarial entre gêneros não é somente uma barreira contra o empoderamento econômico das mulheres, mas também contra o fim das desigualdades sociais, principalmente, em países mais pobres.

Foto: mathiaswasik/creative commons/flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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