Mulheres Indígenas estão em Brasília para realizar primeira marcha de resistência e fórum de debates

Cerca de 2 mil mulheres viajarão de diversos cantos e aldeias para participar da 1a. Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília, no próximo dia 13. Será uma marcha de resistência que marcará o fim de um fórum de debates sobre direitos e território, políticas governamentais, violência de gênero, machismo e LGBTfobia. O fórum Território: nosso corpo, nosso espírito será realizado de 9 (Dia Internacional dos Povos Indígenas) a 12 de agosto.

Boa parte das participantes precisam de ajuda financeira para custear despesas com alimentação e transporte. Por isso, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), coordenada por Sonia Guanabara (foto abaixo), criou uma vaquinha online com meta de R$ 50 mil (quase 72% já foi alcançada), que ficará no ar até 20 deste mês, e ainda inclui custos de infra-estrutura do encontro.

Para Sonia, a marcha tem “profundo significado simbólico e politico”. Ela disse à Folha de SP: “Nascer uma mulher indígena já é nascer como resistência, porque a gente carrega marcas de expressão e de identidade”. E acrescentou com total lucidez: “Os movimentos sociais brasileiros precisam, com urgência, abraçar as lutas uns dos outros. Nesse sentido, a luta por igualdade de gênero, para nós, tem sido o desafio do século XXI. O século XXI é das mulheres, e isso inclui as mulheres indígenas”.

E ressaltou: “Queremos ocupar outros territórios para além do chão da aldeia“, lembrando que, nas comunidades indígenas também existem pessoas LGBT+ e que, por isso, este tema será debatido no fórum. “Nossas comunidades também carregam corpos da diversidade, então é importante a gente também participar dessa luta. Fazer uma luta unificada”.

Integrante do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Sonia também é a primeira e única indígena que passou pela experiência de ser pré-candidata à vice-presidência do Brasil, nas últimas eleições, na chapa de Guilherme Boulos, no PSOL. Por isso, ela defende que a presença dos indígenas – e especialmente das mulheres indígenas – não fique restrita às aldeias, mas se estenda a outros espaços como na politica e nas universidades, sempre promovendo a cultura desses povos.

Indígenas e Margaridas

A Marcha das Mulheres Indígenas está marcada para o dia 13, mas suas participantes ficarão mais um dia em Brasilia para se unir às mulheres do campo para a Marcha das Margaridas, realizada a cada quatro anos desde 2000.

Esse movimento reúne mulheres do campo, quilombolas, ribeirinhas, trabalhadoras rurais e também as que tiveram suas vidas atingidas por rompimentos de barragens de mineração. É “o feminismo além dos muros da cidade”, que agora, contará com a força e a energia das indígenas.

Este é um exemplo de união de que fala Sonia Guajajara. Neste dia, são aguardadas cerca de 100 mil mulheres. Dá pra sentir a dimensão do poder desse movimento?

Imagens: Cris Vector para Apib (ilustração) Apib/Divulgação (Sonia Guajajara) / Instagram/Reprodução (Marcha das Margaridas)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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