Mulheres, indígenas, muçulmanas, negros e LGBTs dão vitória à diversidade nas eleições americanas

A quantidade de mulheres que se candidataram ao Congresso – cerca de 96 – e ao governo de alguns estados já anunciava resultados auspiciosos nas eleições desta semana (6/10) nos Estados Unidos. Entre elas, estavam negras, muçulmanas, indígenas e hispânicas. Também era animador ver uma mulher, um negro, um homossexual e uma transgênero disputando os governos de estados como Dakota do Sul, Flórida, Colorado e Vermont, respectivamente. E, apesar de algumas derrotas, o resultado das urnas é digno de celebração.

Para ocupar assentos na Câmara, foram eleitas as primeiras indígenas: Sharice Davids (declaradamente lésbica), do Novo México, e Deborah Haaland (na foto que ilustra este post), do Kansas, ambas democratas. Davids é membro da Nação Ho-Chunk, advogada, e derrotou o republicano Kevin Yoder. Halland é membro inscrito do Pueblo de Laguna e substituirá outra mulher, também democrata, Michele Lujan Grisham, do Novo México, que deixou o cargo para concorrer ao governo, mas não levou.

Rashida Tlaib, de Michigan, e Ilhan Omar, de Minnesota, são as primeira muçulmanas no Congresso. Omar foi para os EUA há mais de vinte anos como refugiada e será também o primeiro membro somali-americano do Congresso. Ela substituirá o deputado Keith Ellison, primeiro muçulmano eleito para essa casa.

E o Texas levará ao Congresso americano as primeiras mulheres hispânicas: as democratas Veronica Escobar e Sylvia Garcia.

Nestas eleições, também foi eleita a mulher mais jovem: a democrata Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, com apenas 29 anos. Há cerca de um ano, a latina do Bronx era garçonete de um restaurante mexicano da capital americana; hoje, é uma das figuras emergentes e mais relevantes de seu partido. Apesar de seu pequeno currículo político e de ter pouco apoio financeiro, venceu o republicano Anthony Papas sem grande esforço.

O Tenesse elegeu uma mulher para o Senado: a ex-deputada Marsha Blackburn. E Dakota do Sul escolheu uma mulher para governá-lo: Kristi Noem, que representava o estado no Congresso. Mas vale ressaltar que, nestes dois casos, foi a vitória de republicanas (partido de Trump) sobre homens democratas. Ganhos e perdas, portanto.

Todas essas presenças não só indicam a importância da representação feminina – uma grande luz em um governo tão conservador -, como também de ‘minorias’ (refugiados, negros, LGBTs), que ainda ganharam voz em governos como nos estados de Oregon e Colorado. Kate Brown foi eleita em Oregon e se diz bissexual, e Jared Pollis, declaradamente gay, venceu as eleições para governador no Colorado. Aqui, foi a vitória foi de um democrata sobre outro, John Hickenlooper.

Brown e Pollis não foram os únicos representantes das ‘minorias’ que tentaram se eleger como governadores. A primeira candidata transgênero, a democrata Christine Hallquist, do estado de Vermont, ganhou as eleições primárias em agosto, mas perdeu para o republicano Phil Scott. Uma pena, mas uma grande vitória pela visibilidade que sua candidatura ganhou. A democrata Lupe Valdez, do Texas, também não foi adiante. Andrew Gillum, prefeito democrata de Tallahassee, não se tornou o primeiro governador negro da Flórida: perdeu para o republicano Ron DeSantis por apenas quatro pontos.

Não há dúvida que estas eleições revelam uma reação ao autoritarismo do governo Trump, que tem, como uma de suas marcas registradas, a eliminação de direitos e a pressão sobre as minorias. Somente a luta contínua pode garantir espaço para todos os humanos. A representatividade na política é uma das formas para conquistar liberdade e igualdade e vencer o obscurantismo. Que estas eleições sirvam de inspiração para o Brasil que não escolheu o presidente eleito.

Fotos: Divulgação/site campanha Deborah Halland

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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