Lições fora de casa, ao ar livre, estimulam, encantam e aquietam as crianças

Na semana passada, encerramos a quarta turma do curso virtual Criança e Natureza, que lançamos no ano passado, por meio da iniciativa Ser Criança é Natural, que dá nome a este blog.  Com o curso, convidamos os participantes a colocar em prática os aprendizados e sugestões dos textos que recebem. Chamamos de Lição fora de casa as atividades ao ar livre que eles devem realizar em família, com alunos ou mesmo sozinhos. E as descobertas e aprendizados dessas experiências são relatados em um fórum. Entre os relatos dessas lições, o de Carolina Coronado Hadad chamou nossa atenção por conta do movimento que ela está provocando dentro da escola.

Carolina é professora do 2º ano no Colégio Paulo Freire em Jundiaí/SP e atende 20 crianças entre 6 e 7 anos. A escola é uma iniciativa da Cooperativa Educacional de Jundiaí, gerida por pais, com estatuto social e decisões tomadas em assembleias.

Ela aderiu ao nosso curso com a ideia de fazer as lições foras de casa junto com a família. Mas, ao prestar a atenção à agitação de seus alunos, a agressividade verbal e física constante entre eles, a quantidade de palavrões que estavam verbalizando e a percepção da libido e da sexualidade extrema (fora do aceitável para suas idades), Carol imaginou que propor brincadeiras com a natureza pudesse ajudar.

E sua ideia ainda seria favorecida pela área verde bem extensa que a escola, onde dá aula, possui. Esse espaço verde traz bugios e saguis para perto das crianças em diferentes momentos do dia. No entanto, parte desta área não é acessada pela comunidade escolar. Não que não possa, apenas não é… Ou não era.

Carol conversou com a coordenadora, Maíra Franco Tangerino, que logo autorizou o uso do local. Assim, ela e as crianças começaram a explorar o local, tendo em vista o desafio proposto pela primeira lição fora de casa. Para chegar lá, conversou com Dé, o Jardineiro, que já havia aberto uma trilha ali, em suas andanças pelo local. E, assim, a primeira lição pode ser realizada.

Antes de entrar no espaço ela fez alguns acordos com as crianças: para respeitarem o local, prestarem atenção, fazerem silêncio. Todos levaram lupas. Carol propôs, então, que as crianças criassem brinquedos com elementos da natureza. E lhes ofereceu barbante e fita adesiva. A produção das crianças foi surpreendente, e sua relação com o espaço também.

Após a brincadeira, as crianças – que até então sempre se mostravam bastante agitadas – estavam mais calmas. Durante todo o tempo em que estiveram na mata, conseguiram manter um ambiente de harmonia e respeito.

Quando a atividade acabou, as crianças pediram para voltar. Ao conversar com a coordenadora da escola, sobre este momento, Maíra sugeriu inserir visitas frequentes ao espaço na rotina: toda semana, no mesmo dia e mesmo horário, sempre pautados pelos mesmos acordos (especialmente, respeito com a natureza).

Carol aproveitou outros dias de aulas com seus alunos para fazer as outras lições fora de casa (são três durante o curso) e, assim, ampliou suas propostas para as crianças.

Eu e Rita Mendonça conversamos com Carol no Feriado de Páscoa e, até então, fazia um mês que as crianças e ela mantinham essa mesma movimentação. E, na rotina da sala de aula, já era possível perceber mudanças. Diariamente ela nota que as crianças estão mais calmas, falando num volume mais baixo e respeitando a vez do outro falar. Pois é, o respeito entre as crianças também mudou.

Com esta experiência se percebe que muitos são os ganhos quando o professor se abre para experiências com a natureza e seus alunos. Para muito além dos conteúdos, eles aprendem valores éticos, aprendem a se relacionar, a reconhecer a si mesmos, a ter sentimentos grandes que incluem os outros, com a natureza e, dependendo do quanto houver de estímulo e abertura, incluem também toda a vida no planeta Terra. E é um aprendizado ancorado no corpo, na experiência, no que é vivido e que fica na memória pra toda a vida!

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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