Mudanças climáticas são apontadas como a causa da morte de milhares de papagaios-do-mar no Alaska

Mudanças climáticas são apontadas como a causa da morte de milhares de papagaios-do-mar no Alaska

Durante um período de quatro meses, do final de 2016 ao começo de 2017, foram encontradas centenas de carcaças de papagaios-do-mar (Fratercula arctica), na costa da ilha de St. Paul, no Mar de Bering, próximo ao Alaska. As aves estavam extremamente magras, o que sugere que morreram de fome.

Depois de uma análise detalhada da mortandade dos papagaios-do-mar, uma equipe de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos chegou à conclusão que as mudanças climáticas são a principal causa da tragédia.

Em artigo divulgado na publicação Plos One os cientistas afirmam que a falta de alimento para as aves foi desencadeada pelo aumento das temperaturas do mar e da atmosfera, bem como pela redução do gelo marinho, no inverno, registrado desde 2014.

Papagaios-do-mar ingerem peixes e outros organismos invertebrados, que por sua vez, se alimentam de plânctons. Todos esses seres sofrem com os efeitos do aquecimento global.

“Este incidente representa um dos múltiplos eventos de mortalidade de aves marinhas que ocorreram no Pacífico Norte, entre 2014 e 2018, cumulativamente sugestivos de mudança do ecossistema em larga escala”, explicam os autores do estudo.

“No Mar de Bering, a ocorrência do aumento gradual da temperatura pode ser particularmente prejudicial para as aves marinhas, através de reduções no volume e na qualidade das espécies de presas (alimentos), que historicamente eram abundantes”, alertam.

Apesar de “apenas” 350 carcaças terem sido encontradas,
os pesquisadores estimam que morreram entre 3 e 8 mil aves

O papagaio-do-mar é uma bela e simpática ave marinha que, infelizmente, está ameaçada de extinção. É considerada vulnerável pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês).

Os papagaios-do-mar passam a maior parte da vida no mar,
retornando à terra somente para se reproduzir

Em outubro de 2017, outra tragédia similar ocorreu, mas dessa vez, no Hemisfério Sul. 40 mil filhotes de pinguins morreram de fome na Antártica. Da colônia de 18 mil casais de pinguins-de-adélia, apenas dois filhotes sobreviveram. Possível aumento da camada de gelo na região fez com que aves precisassem percorrer uma distância muito maior em busca de alimento.

Fotos: Brian Gratwicke/Creative Commons/Flickr (abertura), Steve Ebbert/ U.S. Fish and Wildlife Service/Wikimedia e reprodução estudo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Mudanças climáticas são apontadas como a causa da morte de milhares de papagaios-do-mar no Alaska

  • 30 de maio de 2019 em 11:27 AM
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    Nada mais surpreende. Nem a guerra urbana onde humanos trucidam os da própria espécie nem as tragédias ambientais anunciadas, onde outras espécies agonizam,porque o mundo está careca de saber que elas iriam acontecer, como acontecem mesmo. Formigas, eis o que somos, querendo deter a roda da carroça que se encaminha para o abismo, levando nela todas as vidas importantes, em extinção ou não, que morrerão sem resgate, a curto ou médio prazo, quem viver, verá. Qual providencial super herói, imune à Kriptonita, poderá deter o seu avanço com musculoso braço e determinação, a fatalidade que a encaminha para o Nada, e que destemido paladino enxergará com sua visão de Raios X, para salvar nas profundezas, o animal marinho sufocando com a “inofensiva” sacolinha plástica, ainda com o logotipo do nosso supermercado da esquina? Seres humanos extrapolaram seus direitos de matar e destruir, que já não era pouco, quando “apenas” matavam para comer, porque agora matam de fome e sede o Planeta inteiro que os abriga, envenenando mananciais e intoxicando a atmosfera, e ainda exterminam, com remotas intenções, animais inocentes, nos confins da Terra, com o produto da civilização ignóbil onde pensam progredir, mas retrogradam; e onde erroneamente julgam prosperar mas retrocedem, quando, à exemplo dos animais que exterminam, estão em progressiva extinção também, incapazes de achar a saída trancada por eles próprios no labirinto de sua própria incúria, imprudência, descaso e insensatez.

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