Mudanças climáticas já ameaçam 25% dos Patrimônios Naturais da Humanidade

Mudanças climáticas já ameaçam 25% dos Patrimônios Naturais da Humanidade

Alguns dos lugares mais lindos do planeta, visitados por milhões de turistas todos os anos, correm risco de desaparecer ou serem fortemente impactados pelos extremos climáticos, provocados pelo aquecimento da superfície da Terra.

Isso é o que aponta – mais uma vez – o relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza “IUCN World Heritage Outlook 2, lançado no último dia 13/11, durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP23, que está acontecendo em Bonn, na Alemanha.

O estudo mostra que, em apenas três anos, o número de Patrimônios Naturais da Humanidade em risco, principalmente pelo aquecimento global, mas também por outras ameaças, passou de 35 para 62, ou seja, praticamente dobrou. O último relatório da IUCN sobre o tema havia sido divulgado em 2014.

Consequências das mudanças climáticas como o aumento do nível do mar, a elevação da temperatura da água e a acidificação dos oceanos são as principais responsáveis pelo branqueamento de corais e degelo de glaciares, que aparecem no levantamento entre os ecossistemas mais ameaçados.

Entre os recifes de corais em risco estão o Atol da Aldabra, no Oceano Índico (o segundo maior do mundo), a Barreira de Belize no Atlântico (a maior no Hemisfério Norte) e a Grande Barreira de Corais da Austrália, considerada a mais importante do planeta.

Entre 2014 e 2017, uma onda de branqueamento devastou grande parte destes ecossistemas. Na Austrália, ele foi considerado o pior da história. Segundo especialistas, 22% dos corais morreram (leia mais aqui).

Já o aumento da temperatura global tem provocado o derretimento do gelo de glaciares e a perda de sua extensão em lugares como o Parque Nacional de Kilimanjaro, na África, e em Jungfrau-Aletsch, nos alpes suíços.

“Os Patrimônios Naturais da Humanidade desempenham um papel crucial na economia e vida de comunidades”, destaca Tim Badman, diretor do Programa do Patrimônio Mundial da UICN. “Sua destruição pode ter consequências devastadoras, que vão além da perda de sua excepcional beleza e valor natural. No Parque Nacional Huascarán do Peru, por exemplo, as geleiras derretidas afetam o abastecimento de água e contaminam a água e o solo devido à liberação de metais pesados, previamente presos sob gelo. Isso aumenta a urgência do nosso desafio de proteger esses lugares”.

Mas não são apenas as mudanças climáticas que colocam em risco a sobrevivência dos Patrimônios Naturais da Humanidade. A introdução de espécies invasoras (plantas e animais não nativos daquele local), o turismo não sustentável ou o desenvolvimento da infraestrutura também são ameaças graves. O relatório aponta ainda que a administração em muitos destes lugares piorou nos últimos anos, principalmente, por causa de cortes de orçamento.

No Brasil, aparecem na categoria de “Bons, mas com certa preocupação” os Parques do Veadeiros e das Emas, ambos no Cerrado. Como foi preparado em 2016, o relatório da IUCN não tinha ainda informações sobre os terríveis incêndios que devastaram a Chapada recentemente.

Já na categoria “Preocupação significativa” estão listados o Parque Nacional do Iguaçu e o Pantanal. Todavia, diferente de outros destinos, a segunda maior ameaça aos patrimônios brasileiros é a expansão agropecuária.

Mas não há só más notícias. “IUCN World Heritage Outlook 2” mostra histórias bem sucedidas. É o caso do Parque Nacional Comoé, na Costa do Marfim, no oeste da África. Graças a um trabalho de conservação e administração eficiente do parque, a população de elefantes e chimpanzés aumentou. Além deste, outros 13 patrimônios melhoraram sua avaliação desde 2014.

Foto: The Ocean Agency / XL Catlin Seaview Survey / Richard Vevers

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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