Mudança climática é o principal desafio da humanidade, afirmam 10 mil jovens de mais de 20 países

Mudança climática é desafio mais importante da humanidade, afirmam 10 mil jovens de mais de 20 países

De alienados, eles não têm nada! E mostraram isso, de uma maneira linda, ao longo de 2019, quando foram às ruas protestar, nas principais cidades do mundo, contra a inação de seus governos para combater a mudança climática e reduzir as emissões de gases de efeito estufa, inspirados pelo movimento #FridaysForFuture, criado pela ativista sueca Greta Thunberg. Como há muito tempo não era visto na história, multidões de jovens se manifestaram publicamente para mostrar que hora de dar um basta na crise climática.

E a questão realmente os incomoda. Prova disso é que ela aparece como a questão mais importante apontada por mais de 10 mil jovens, de 22 países, que participaram da pesquisa “Futuro da Humanidade, encomendada pela Anistia Internacional, para marcar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado hoje, 10 de dezembro.

Os entrevistados têm entre 18 e 25 anos. Fazem parte da chamada geração Z. Eles foram questionados sobre o cumprimento dos direitos humanos em seu países e no mundo e quais temas consideravam mais prioritários na atualidade e quem seriam os responsáveis para solucioná-los.

Apresentados a uma lista com 23 questões, os jovens foram convidados a indicar as cinco que consideravam mais importantes. No total, 41% deles apontaram a mudança climática em primeiro lugar, tornando-a a mais citada globalmente. Em seguida, 36% escolheram a poluição e 31% selecionaram o terrorismo.

Mudança climática é desafio mais importante da humanidade, afirmam 10 mil jovens de mais de 20 países

Da lista de 23 questões, mudança climática aparece no topo

O aquecimento global também foi o mais mencionado, dentro das dez questões ambientais expostas (57%), como poluição dos oceanos, poluição do ar e desmatamento.

“É importante entender os sinais de alerta que essa pesquisa apresenta sobre a percepção de mais de 10mil jovens. O ponto mais citado globalmente é a questão climática. E nós da Anistia Internacional acreditamos que os eventos observados neste ano de 2019 mostram que os jovens estão vivendo dentro de um sistema falido”, destaca Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil.

Sobre a questão específica dos direitos humanos, a grande maioria dos entrevistados, 73%, afirmou que a responsabilidade pela sua garantia é de governos. Da mesma forma, 54% deles acreditam que seus governantes devem assegurar a proteção do meio ambiente.

Mudança climática é desafio mais importante da humanidade, afirmam 10 mil jovens de mais de 20 países

As principais preocupações dos jovens na área ambiental

Quando levado em conta apenas as respostas dos jovens brasileiros, a corrupção aparece na 1a posição (36%), seguida por instabilidade econômica (26%), poluição (26%), desigualdade de renda (25%), mudança climática (22%) e violência contra a mulher (21%).

“Se os eventos de 2019 nos ensinam alguma coisa, é que as gerações mais jovens merecem um assento na mesa quando se trata de decisões sobre elas. A menos que as vozes que estão na linha de frente façam parte da discussão sobre como lidamos com os desafios que a humanidade enfrenta, as crises que estamos testemunhando no mundo só vão pior”, ressalta Kumi Naidoo, secretário-geral da Anistia Internacional .

Para ele, acima de tudo, os governos devem começar a nova década com ações significativas para enfrentar a emergência climática, reduzir as desigualdades e implementar reformas genuínas para acabar com os abusos de poder. “Precisamos de mudanças sistêmicas, baseadas em direitos humanos, nos sistemas econômicos e políticos que nos trouxeram até aqui”, concluiu.

Os protestos pelo clima levaram milhões de jovens para as ruas em 2019

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Fotos: reprodução Facebook Greta Thunberg

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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