Morre uma das últimas vaquitas que ainda restava no planeta

Morre uma das últimas vaquitas que ainda restava no planeta

Um dos animais mais raro dos oceanos, a vaquita (Phocoena sinus), também chamada de boto-do-pacífico, é uma espécie de golfinho, encontrada no Golfo da Califórnia, pequena área que separa a península da Baixa Califórnia, nos Estados Unidos, do território mexicano.

Infelizmente, apesar de ter sido descoberta somente em 1958, a vaquita – o menor cetáceo do planeta -, já está praticamente extinta. Pela mais recente estimativa, feita com monitores sonares e divulgada em fevereiro de 2019, restariam entre 6 e 22 delas ainda vivas. O que especialistas acreditam é que sejam somente 10.

As vaquitas perdem a vida ao ficarem presas em redes ilegais, usadas para a pesca do também em risco de extinção peixe totoaba, nativo da região, e vendido para o mercado negro chinês por preços altíssimos, devido a seus supostos “poderes afrodisíacos”.

Mesmo tendo sido proibidas permanentemente pelo governo do México, em 2017, as redes de emalhar ainda são utilizadas pelos pescadores. Como os demais cetáceos, a vaquita precisa ir à tona, respirar na superfície, e presa na rede, acaba morrendo afogada.

Há cerca de duas semanas, uma equipe da organização Sea Shepherd encontrou o corpo de uma vaquita, sem vida, em meio a uma rede. A carcaça já estava em decomposição, mas depois de realizados exames morfológicos, os biólogos confirmaram que o animal é um boto-do-pacífico.

O International Committee for the Recovery of the Vaquita (CIRVA), criado por cientistas e organizações internacionais para tentar impedir a extinção da espécie, fez um alerta ao México que medidas mais sérias precisam ser tomadas. A entidade acusa o governo de agir apenas no papel e não investir em maior fiscalização contra a pesca predatória naquela região.

“Uma das criaturas mais incríveis da Terra está prestes a ser varrida do planeta para sempre”, disse Sarah Uhlemann, diretora internacional de programas do Centro para a Diversidade Biológica, nos Estados Unidos. “No entanto, o México só fez promessas de papel para proteger esses botos de redes letais, sem fiscalização sobre a água. O tempo está se esgotando para o presidente Lopez Obrador parar toda a pesca com redes e salvar a vaquita. ”

A vaquita mede, em média, 1,5 metro de comprimento (outros cetáceos podem chegam a até 33 metros, como é o caso da baleia-azul!). Uma de suas principais características é ter um anel de cor preta em volta dos olhos e manchas escuras ao redor da boca.

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Fotos: Flip Nicklin/Minden Pictures/WWF (abertura) e Tom Jefferson/WWF

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Morre uma das últimas vaquitas que ainda restava no planeta

  • 27 de março de 2019 em 11:39 AM
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    A proteção das espécies ameaçadas de extinção, inegavelmente, deve ser incentivada e aplaudida porque futuras gerações nos pedirão conta dos animais que deletamos do Planeta sem salvá-los, por conta da ignorância e irresponsabilidade humanas. Entretanto há que se expandir esse conceito de salvar, ampliando nossa compaixão e empenho por todas as outras espécies não catalogadas como extintas ou a caminho de. Há que se difundir essa interesse empático, que nos comove quando algumas morrem mas outras permitimos sufocar, que nos está caracterizando à conta de racionais contraditórios que não conseguiram ainda globalizar sua empatia por todos os seres vivos, que pena, e por isso ainda não podem ser considerados os superiores que alguns acham que são mas estão longe de ser. Racionais superiores, presume-se, não são especistas quando se mobilizam em ações de resgate, alívio e/ou cura.Não diferenciam vidas que merecem ser conservadas à par das outras legalizadas para sucumbir sem qualquer empatia a favor delas, por conta desse hábito degradante e vil de consumir carne animal com a desculpa das “imprescindíveis” proteínas. Imprescindível, por todos, deveria ser o amor de que somos capazes de sentir, egoisticamente, por quem nos interessa, apenas. Por alguns animais, somente, isto é, os ameaçados de extinção e os vira latas de estimação da gente, tão amados. Todas as milhões de outras cabeças do oceano de rebanhos que nascem supondo ingenuamente que serão preservadas, podem ser decepadas à vontade porque ninguém se ocupa delas para auferir o que pensavam e o que sofreram, antes do último anônimo suspiro. Que pena. Deveríamos já ter compreendido que a dor nos “outros” animais dói tanto quanto em nosso amado vira lata que não queremos que sofra porque o amamos tanto, tanto, que nem imaginamos, um dia, perde-lo.

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