Edifício autossuficente em energia está prestes a receber primeiros moradores na Suíça

prédio do futuro

Toda a demanda de eletricidade de um prédio inteiro suprida somente com a energia do sol? Sim, a tecnologia já existe e está prestes a entrar em funcionamento na pequena cidade de Brütten, a pouco mais de 20 km de Zurique, na Suíça.

O “prédio do futuro”, como está sendo chamado pela mídia, deve receber seus primeiros moradores nos próximos meses, logo mais no verão europeu. Mas a inauguração oficial acontece em abril. A construção começou em janeiro de 2015 e pode ser acompanhada, desde as fundações, passo a passo, ao vivo, pela internet (veja vídeo ao final deste post).

A Umvelt Arena, responsável pela construção, garante que este será o primeiro edifício do mundo a ser autossuficiente na produção de energia. O prédio não tem nenhuma conexão com a rede de abastecimento de eletricidade (grid) de Brütten. Toda a energia a ser utilizada para o aquecimento do ar, água e demais utensílios dos apartamentos será gerada a partir do sol.

Para isso, todo telhado e fachada do edifício foram totalmente cobertos com paineis solares de última geração. O projeto foi desenvolvido ainda para minimizar tanto o uso como desperdício de energia nos apartamentos. Todas as lâmpadas são LED e aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos possuem eficiência energética A+++.

De acordo com os engenheiros, será necessária somente uma hora de luz de sol por dia para atender toda a demanda de eletricidade dos moradores por 24 horas. Nas demais horas do dia, quando houver sol, a energia será armazenada em baterias por um período de três a quatro dias. Em meses mais frios, como dezembro e janeiro, a energia solar poderá ser transformada em hidrogênio, que pode ser estocado por um período maior, de até 25 dias.

prédio do futuro terá somente energia solar na suíça

O “prédio do futuro”, quase pronto, na Suíça

O vilarejo de Brütten foi estrategicamente escolhido para o projeto piloto da Umvelt Arena. A Suíça está no Hemisfério Norte e é um país conhecido pelas baixas temperaturas. Brütten fica a 640 metros acima do nível do mar e acima do que é considerado o “fog line”, ou seja, área que normalmente sofre com neblinas fortes e atrapalha a chegada dos raios solares.

Segundo os engenheiros do “prédio do futuro”, o custo da construção foi somente 10% mais alto do que um edifício tradicional.

Estilo de vida sustentável

A construção do novo edifício inteligente atraiu dezenas de interessados em morar no local. Dos nove apartamentos, um será usado pela construtora como show room da tecnologia de ponta. Outros cinco serão alugados pelo valor de CHF 2.500 mil mensais. Para um apartamento de quatro quartos, no valorizado mercado imobiliário suíço, o custo é bem razoável. Dentro do preço do aluguel já estarão embutidos gastos com a produção e consumo de energia.

Os três apartamentos restantes tiveram seus moradores escolhidos por um concurso promovido pela publicação local Blick. Durante o primeiro ano, as famílias selecionadas serão acompanhadas de perto pelo jornal, que mostrará como é a vida no “prédio do futuro”.

predio-solar-suica-3-800

Um dos apartamentos será um show room da tecnologia de ponta e uso eficiente de energia solar

Apesar de terem garantida energia limpa e renovável, os inquilinos do edifício também terão que se comprometer a ter um estilo de vida mais sustentável. Em todos os apartamentos foi instalado um sistema que monitora o uso da eletricidade, assim o consumo poderá ser acompanhado de perto.

Os moradores terão a sua disposição ainda dois carros: um elétrico e outro movido a biocombustível. Os resíduos orgânicos do prédio passarão por uma tubulação especial e serão convertidos em biomassa.

Fotos: divulgação Umvelt Arena

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Deixe uma resposta