Monitoramento do desmatamento da Amazônia é ameaçado por corte no orçamento

Monitoramento do desmatamento da Amazônia é ameaçado por cortes no orçamento

Os cortes anunciados pelo governo federal para o setor das Ciências no Brasil podem afetar uma das atividades mais importantes no meio ambiental: o controle do desmatamento na Floresta Amazônica. A denúncia foi feita pelo jornal O Estado de São Paulo, em reportagem que fala sobre as dificuldades que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vem enfrentando.

O Inpe é um dos órgãos brasileiros responsáveis pelo monitoramento via satélite da Amazônia e também, pela previsão meteorológica do país. Segundo informações do Estadão, o orçamento do Inpe passou de R$ 326 milhões, em 2010, para R$ 108 milhões, em 2017, uma redução de quase 70%. Além disso, a equipe perdeu 25% de seus colaboradores nos últimos dez anos.

E no ano que vem, as coisas podem ficar ainda piores. A proposta de Orçamento da União do governo Temer para 2018 deixará o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o qual o Inpe está vinculado, com apenas R$ 2,7 bilhões – o menor valor neste século.

Este ano, o ministério já tinha tido seu orçamento reduzido em 44%, o que resultou no montante de 3,2 bilhões, ou 1/3 da verba de 2013.

No caso do Inpe, a falta de recursos irá impactar diretamente as parcerias internacionais e os lançamentos de novos satélites de monitoramento. “Esse corte certamente implicará a descontinuidade de alguns programas de grande relevância no instituto”, afirmou Ricardo Galvão, diretor do instituto, em entrevista ao Estado de São Paulo. “Tenho sérias dúvidas se vamos conseguir renovar essa colaboração com a China.”

Um destes projetos é o lançamento do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, o CBERS 4A, que inicialmente seria colocado em órbita em dezembro de 2018, mas já está com este prazo adiado para meados de 2019.

O CBERS 4A iria substituir o CBERS4, atualmente o único operacional no espaço, que de acordo com estimativas, deve encerrar sua vida útil no mês que vem. Quando isso acontecer, se não houver outro satélite nacional em funcionamento, o país ficaria “cego”.

Além do CBERS 4A, outro projeto do Inpe que está na corda bamba é o Amazonia 1, o primeiro satélite 100% nacional de observação da Terra. Apesar de ter sua previsão de lançamento para janeiro de 2019, os pagamentos que viabilizam seu desenvolvimento estão todos atrasados. Dos R$ 58 milhões necessários para sua construção,que deveriam constar no orçamento deste ano, só chegaram R$ 15 milhões.

A tecnologia dos satélites, dotados de câmeras, é uma ferramenta importantíssima no planejamento tanto dos setores agrícolas, como urbanos de um país. Estas imagens e informações estão disponibilizadas, gratuitamente e online, para qualquer um que esteja interessado neste banco de dados.

Não é só o Inpe que será prejudicado com o corte no orçamento anunciado pelo governo. Institutos de pesquisa e museus, como o Goeldi, um dos mais importantes centros científicos sobre a Floresta Amazônica (leia mais aqui) estão em graves dificuldades, sem recursos para fazer Ciência, enquanto grande parte das universidades públicas já sofre até para se manter em funcionamento por causa da redução drástica de investimentos.

Atualmente há uma petição online, promovida pela organização Marcha pela Ciência, que luta pela revisão do orçamento para 2018, pois não há desenvolvimento em um país sem investimento na Ciência e na Educação.

E sem monitoramento na Amazônia, a floresta vai para o chão.

Foto: Neil Palmer/CIAT/Cifor/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Deixe uma resposta