Moda solidária dá pano pra manga


A economia solidária também está na moda. Literalmente. A articulação entre essa área criativa e empreendimentos solidários vem se intensificando no correr dos anos, e há muitos exemplos disso.

O caso mais publicamente conhecido talvez seja o do estilista mineiro Ronaldo Fraga e sua relação com grupos produtivos em várias de suas coleções ao longo dos anos, valorizando técnicas regionais como a renda renascença do Cariri e o artesanato do Vale do Jequitinhonha. A estilista paulistana Fernanda Yamamoto também desenvolveu trabalhos interessantes com as rendeiras do Cariri em uma de suas coleções e produziu peças em parceria com o grupo Pano pra Manga para a exposição Design, Artesanato e a Cidade na edição de 2015 do evento Design Weekend (DW). E, durante muito tempo, o designer Renato Imbroisi trabalhou com as Bordadeiras do Jardim Conceição, que hoje produzem peças de uma beleza e delicadeza sem par.

Por outro lado, pequenas marcas como a Maria Tangerina e grupos como Ecotece e Rede Design Possível, por exemplo, vêm também se destacando dentro desse movimento, seja produzindo moda, seja promovendo articulações por uma relação mais solidária nesse universo.

A valorização do trabalho de grupos produtivos e a promoção do comércio justo são importantes num universo em que muitas marcas já tiveram seus nomes ligados ao trabalho escravo em oficinas de costura. Em 2012, a ONG Repórter Brasil trabalhou esse tema e apontou casos ligados a marcas conhecidas como Zara, Pernambucanas, Renner, Marisa, M.Officer, Collins, Seiki, entre outras.

Dentro de todo esse contexto de consumo e de direitos humanos, marcas que trabalham com conceitos da economia solidária, independentemente de seu tamanho, fazem diferença. E novas marcas cada vez mais têm surgido com essa pegada. No ano passado, algumas delas participaram de uma roda de conversa sobre o tema durante o Design Weekend, que foi bastante concorrida. A relação da economia solidária com o DW começou em 2015 e vem se desenvolvendo e ampliando desde então.

Em São Paulo, quem quiser conhecer um pouco do universo de novas marcas com essa pegada solidária tem um encontro marcado no dia 25 de março, quando Maria Tangerina, Somos 55, Jouer Couture e Philadelphia Company, juntamente com a Rede Design Possível, participam de um painel de reflexão sobre o tema no Festival Transforma, promovido pelo Jardim Secreto.

“Essas marcas, que são mais próximas e parceiras nossas na economia solidária, queriam se encontrar pra contar um pouco da sua trajetória, e avaliamos que não fazia sentido fazer isso sem falar também dos grupos que já atuam com esse tipo de economia. Esse momento já é um desdobramento positivo do evento que fizemos no ano passado sobre moda no Design Weekend, que deu retorno muito bom e atraiu muita gente. Pessoas interessadas em conhecer as experiências e seguir no mesmo caminho”, conta Julia Asche, da Design Possível. “Muita gente dessa área nos procurou em 2016 querendo se aproximar de grupos produtivos. Muita gente querendo trabalhar com comércio justo, produção e trabalho valorizado, coparticipação em coleções, enfim, mas não sabem como fazer. Em 2017 estamos trabalhando para fortalecer essa área. O primeiro contato com os grupos vem com o nosso suporte e depois esses grupos seguem autonomamente nas relações”.

Seu Negócio mais Solidário
A roda de conversa que ganhou esse nome acontece ao longo da tarde do dia 25/03, num espaço bastante agradável, que é a Escola de Botânica. Lá, os representantes das marcas vão falar sobre como o empreendedorismo pode apoiar e empoderar outras pessoas por meio da economia solidária. Serão dois momentos importantes, com intervalo para um coffee break organizado por um empreendimento solidário.

No primeiro momento, acontecerá bate papo com as marcas, no qual elas contarão um pouco de sua história e por que decidiram trabalhar com economia solidária, como encontraram esse caminho e como as pessoas podem trabalhar nessa pegada.

No segundo momento, integrantes de empreendimentos solidários de diversas áreas como costura, artesanato, alimentação e marcenaria contam um pouco de suas histórias também.

A atividade será mediada por Marina de Luca, co-fundadora do site Moda Limpa e diretora de comunicação do Fashion Revolution Brasil.

Um jardim maravilhosamente secreto

O Festival Transforma acontece nos dias 25 e 26/03, com programação perfeita para quem se interessa pela potência da transformação que pode ser promovida pelos pequenos produtores brasileiros.

A primeira edição é promovida pelo Jardim Secreto Fair, que tem como principal objetivo apoiar e destacar o trabalho de pequenos produtores brasileiros. Terá debates (painéis) sobre criação, reflexão e prática e também uma feira para apresentar a produção dos grupos.

O Jardim Secreto surgiu como uma feira itinerante para pequenos produtores e, neste ano, testa este novo formato, como Festival Transforma. Para participar das atividades é preciso fazer inscrição. Veja informações em sua página no Facebook.

Agora, deixo você com alguns vídeos curtinhos e ligeiros que mostram um pouco da riqueza do processo que envolve estilistas e grupos produtivos, produzidos pela Ecotece em parceria com a Design Possível, a UNISOL Brasil e a Associação Brasileira de Estilistas (ABEST) para o DW 2015:

Foto: Divulgação

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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