Ministro do Meio Ambiente diz que Brasil não investirá em reduzir emissões, caso não receba dinheiro por isso

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Não é tão difícil assim de entender. A humanidade enfrenta um dos maiores desafios da história. Seu modo de vida está influenciando diretamente o clima do planeta. Há evidências científicas que provam isso. A queima de combustíveis fósseis, como gasolina, diesel e carvão, libera gases de efeito estufa na atmosfera, que aumentam a temperatura da superfície terrestre, provocando o aquecimento global. E mesmo se parássemos de emitir esses gases agora, o calor ficaria estocado na atmosfera por centenas de anos.

Todo esse calor afeta o clima. O aumento da temperatura da água do oceano torna ainda mais severos desastres naturais, como furacões, ciclones e tufões. E isso é só um exemplo. Cientistas afirmam que os extremos climáticos ficarão cada vez mais frequentes e fortes nos anos por vir, caso o ritmo atual das emissões não seja freado.

Onde o Brasil entra nessa história? Para começar, temos a maior floresta tropical do planeta: a Amazônia. Com suas árvores de pé, conseguimos garantir a segurança hídrica de nosso país e um clima mais ameno. Vale explicar: árvores têm o poder de absorver da atmofera o dióxido de carbono (CO2), um dos gases apontados como sendo o principal responsável pelo aquecimento global.

Além disso, a Floresta Amazônica envia para a atmosfera um volume gigantesco de umidade, que faz com que se formem os chamados “rios voadores”, que levam as chuvas para as regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil – áreas geográficas que em outros continentes são deserto (olhe o mapa mundi e repare como na África e Austrália, o que se encontra na mesma linha do que São Paulo é deserto).

Uma das maiores riquezas do Brasil é, sem dúvida nenhuma, a Floresta Amazônica. Ela é a guardiã de nossos recursos naturais e da biodiversidade brasileira. Ou seja, sua preservação é um importantíssimo ativo econômico para o país.

Mas, não bastasse isso, há outro ponto essencial a ser lembrado. O Brasil não existe sozinho na Terra. Somos parte do planeta. E TODOS, juntos, precisamos enfrentar as mudanças climáticas. Elas irão impactar todos os países, sem exceção.

O compromisso com o Acordo de Paris

Em dezembro de 2015, na capital da França, 195 países membros das Nações Unidas assinaram o mais abrangente e ambicioso tratado internacional sobre o clima, em que se comprometeram a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, e desta maneira, tentar limitar o aumento da temperatura da superfície da Terra em menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais. O Brasil faz parte desse acordo.

Mas segundo o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, “o Brasil só irá adotar novas medidas pelo acordo climático se receber compensações financeiras por medidas já em andamento”.

Em participação em audiência pública na Comissão de Meio Ambiente no Senado, em Brasília, na quarta-feira (27/03), Salles afirmou que “dos US$ 100 bilhões prometidos a países em desenvolvimento pela adoção de ações de enfrentamento ao aquecimento global, apenas US$ 1 bilhão foi disponibilizado ao Brasil, ‘país que mais preserva’“.

Ainda de acordo com Salles, o governo já tem várias medidas em andamento para reduzir as emissões, tanto no setor agropecuário como no de infraestrutura, entretanto, para realizar “algo mais auspicioso do que já foi comprometido, o país precisa que as compensações aconteçam”.

O ministro Ricardo Salles continua a propagar o discurso do atual governo de que o Brasil é o país que mais preserva. Não é bem isso o que acontece na realidade. Levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), divulgado no ano passado, afirmou que o desmatamento na Amazônia é o pior em dez anos: 1,18 bilhão de árvores foram derrubadas em um ano. Em janeiro último, a destruição da floresta aumentou mais de 50%.   

E não é só na Amazônia. No Cerrado a situação é parecida. Em 2017, um estudo revelou que o desmatamento na região havia subido 9%.

Durante a campanha para as eleições, o então candidato Jair Bolsonaro disse, que se fosse ruim para o país, iria tirar o Brasil do Acordo de Paris (exatamento como fez o presidente americano, Donald Trump). Depois de eleito, todavia, Bolsonaro adotou um discurso mais brando e quando esteve no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, prometeu lutar pela preservação do meio ambiente, apesar das ações do governo e principalmente, de seu ministro Ricardo Salles, mostrarem o oposto (leia mais aqui).

Recentemente, na Assembleia Ambiental das Nações Unidas, em Nairóbi, no Quênia, Salles e sua equipe vetaram proposta de desmatamento zero. A delegação brasileira pedia a inclusão da palavra ilegal: desmatamento “ilegal” zero. Resultado? Não houve consenso e os demais países rejeitaram a proposta.

A declaração do ministro do Meio Ambiente é um tiro no pé. O Brasil só vai ganhar ao investir em ações para combater as mudanças climáticas e reduzir as emissões de carbono. O único caminho a seguir é este. É um investimento no futuro e no bem-estar da população. Caso contrário, salve-se quem puder.

*Com informações do portal de notícias G1

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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