Ministra belga renuncia após protesto de estudantes pelo clima, um movimento global que só cresce


Ministra belga renuncia após protesto de estudantes pelo clima, um movimento global que só cresce

Eles são a geração chamada de post-millennials. Nasceram depois de 1997, bem no boom do universo digital. Apesar de serem aficionados pelas telas, estão mostrando – nas ruas -, que não são alienados ao que acontece fora de seus celulares e tablets. Tanto que, na Bélgica, conseguiram derrubar uma ministra.

Joke Schauvliege, ministra do Meio Ambiente, renunciou, após os estudantes do país protestarem contra a falta de políticas do governo belga em relação às mudanças climáticas.

Há poucas semanas, mais de 35 mil jovens faltaram as aulas para ir às ruas. Adolescentes e também alunos do ensino fundamental  lotaram as ruas da capital Bruxelas e das cidades de Liege, Namur e Leuven com cartazes pedindo mais ação dos políticos. Houve manifestos também em frente à residência da ministra. Nas redes sociais, mais de 3 mil cientistas e acadêmicos apoiaram os protestos.

Depois das manifestações, Joke Schauvliege afirmou que o Serviço Secreto da Bélgica a teria informado que os estudantes foram às ruas instigados por “terceiros”. A agência de inteligência belga veio à público então negar que tivesse repassado qualquer tipo de informação à ministra. Duramente criticada por sua atitude (mentira), Joke renunciou.

“A alegação da ministra é um insulto ao engajamento autêntico de tantos jovens”, disse a organização Youth for Climate, que ajudou a promover os protestos.

A Bélgica tem, no total, quatro ministros do Meio Ambiente: um para cada região do país. Mas até agora, não anunciou ainda seu compromisso global, perante as Nações Unidas, sobre suas metas de redução das emissões de gases de efeito estufa, até 2030.

Bélgica, Suíça e Alemanha: estudantes nas ruas pelo clima

Os jovens belgas endossam a lista de uma série de protestos estudantis que acontecem pela Europa e em outros continentes, chamado de Climate Change Strike, na tradução para o português, Greve pelas Mudanças Climáticas. Alunos também abandonaram a escola e foram para as ruas na Suíça e na Alemanha. Em novembro do ano passado, milhares deles se manifestaram na Austrália. Crianças e adolescentes bloquearam o trânsito em Sidney e em Melbourne, empunhando cartazes contra a inércia do governo perante o aquecimento global. Na capital, Canberra, eles se aglomeraram em frente ao parlamento e pediram o fim da exploração do carvão.

Enquanto isso, o primeiro-ministro, Scott Morrisson, aconselhou os estudantes australianos a “serem menos ativistas” e não saírem às ruas. Já o ministro do Desenvolvimento, Matt Canavam, disse em entrevista a uma rádio local, que os jovens deveriam se concentrar no estudo sobre mineração e ciências.

Protestos estudantis na Austrália: não ao carvão!

Na próxima sexta-feira (15/02) há uma Climate Change Strike programada no Reino Unido. Milhares de alunos devem faltar as aulas e se juntar ao movimento mundial. Um dos principais motivos de protesto dos britânicos é contra o fracking, a extração de gás natural.

Greta Thunberg: inspirando um movimento global

A inspiração para os protestos estudantis que aconteceram na Austrália e na Europa veio da Suécia. Da manifestação solitária de uma jovem de 16 anos: Greta Thunberg, conforme mostramos aqui, neste outro post.

Em agosto do ano passado, a adolescente decidiu fazer uma greve em frente ao parlamento sueco, em Estocolmo. Seu protesto é pelo clima. Ela argumenta que seu país precisa fazer mais. O último verão foi o mais quente da Suécia, com incêndios florestais e os termômetros alcançando temperaturas que não eram registradas há 262 anos.

Para a menina, que sempre usa tranças no cabelo, ela tem uma responsabilidade moral em ser uma ativista pelo clima. E não é da boca para a fora. Desde que começou a se interessar pelo tema, ainda com 9 anos, Greta se tornou vegetariana e se nega a comprar qualquer coisa que não seja absolutamente necessária. A família instalou painéis solares em casa, tem sua própria horta e um carro elétrico, que sai da garagem apenas quando é extremamente indispensável. Em outras ocasiões, o meio de transporte preferido é a bicicleta.

Greta, assim como a irmã, é autista. Ambas foram diagnosticas com a síndrome de Asperger, uma forma mais branda do transtorno. O que faz de seu comportamento e de sua luta algo ainda mais inspirador, pois as pessoas com esta síndrome podem ter dificuldade em se comunicar e interagir com outras pessoas.

Mas a jovem sueca prova que tem o poder da comunicação. E fala com propriedade. Ela foi uma das palestrantes na Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP24, realizada na Polônia, no ano passado, e também esteve na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Greta é inspiração para jovens do mundo inteiro

A revista americana Time listou Greta entre os 15 jovens mais influentes do mundo em 2018.

*Com informações do jornal The Guardian e da Forbes 

Fotos: reprodução Instagram Greta Thunberg e Takver/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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