Milhares de golfinhos aparecem mortos na costa da França

Milhares de golfinhos aparecem mortos na costa da França

Desde janeiro, mais de 1.100 mil golfinhos foram encontrados sem vida em praias francesas, na costa do Oceano Atlântico. Estima-se que apenas 20% das carcaças desses animais sejam levadas até as praias. Por isso mesmo, biólogos acreditam que a mortandade seja ainda maior, já que muitos corpos vão parar no fundo do mar.

Além do número recorde de mortes, o maior dos últimos 40 anos, o que chama muito a atenção dos especialistas é o estado dos corpos. Muitos estão mutilados e outros mostram marcas claras de redes de pesca, prova de que eles morreram por causa da pesca industrial.

Eles ficam presos nas redes jogadas no mar por grandes barcos, a chamada “captura acidental”, exatamente o mesmo problema que está levando à extinção a rara vaquita, como mostramos aqui neste post, na semana passada, outra espécie de golfinho, que habita a costa do México.

A mortalidade dos golfinhos franceses mobilizou diversas entidades de proteção animal. Em fevereiro, a Sea Shepherd divulgou fotos de um flagrante que mostra um golfinho preso numa rede, sendo puxada por um barco pesqueiro.

O flagrante do golfinho enroscado na rede

“Os golfinhos nadam pelas águas de desova de espécies, como robalos e badejos, onde há muitos arrastões e cercados (redes) – o que já é uma aberração em si. São técnicas mortais para mamíferos marinhos”, alerta Lamya Essemlali, presidente da Sea Shepherd França. “Essas capturas não são acidentais. Elas são previsíveis, quase sistemáticas e aceitas como tal. É essencial que os consumidores comecem a exigir responsabilidade pela origem do peixe em seus pratos ”.

Há poucos mais de 15 dias, a equipe da organização encontrou mais golfinhos mortos, jogados na praia de Les Sables d’Olonne, na imagem chocante que você confere abaixo.

Ambientalistas estão pressionando o governo francês para tomar medidas mais rígidas sobre a pesca industrial e realizar uma fiscalização maior das águas costeiras do país.

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Fotos: divulgação Observatoire Pelagis e Tara Lambourne/Sea Shepherd

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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